Reprovações causam alvoroço na UEPG
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de janeiro de 1998
Giovani Ferreira 
A reprovação de quatro alunas do último ano do curso de Jornalismo vem causando polêmica na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O assunto ganhou importância e extrapolou os limites da universidade com a interferência da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que há anos trabalha para melhorar a qualidade dos cursos de Jornalismo de todo o País. Panfletos distribuídos ontem à tarde na universidade apontam conivência do reitor e de professores com o lobby montado pelas alunas para reverter suas reprovações.
A polêmica teve início quando o professor Sérgio Gadini, chefe do Departamento de Jornalismo da UEPG, reprovou quatro alunas na disciplina de Técnicas de Redação III. Das quatro reprovadas, Renata Bonacin e Desireé Larocca decidiram questionar suas notas e, na sequência, o sistema de avaliação do professor.
O professor Sérgio Gadini, que mantém sua decisão de reprovar as acadêmicas, diz que foi respeitado o direito de revisão de prova. Uma banca composta por três professores fez a revisão da última prova realizada pelo professor Sérgio, referente ao quarto bimestre. Segundo Gadini, a banca manteve a nota e a reprovação das acadêmicas.
Porém, não satisfeitas com a decisão, através de processo endossado por seus pais, José Bonacin e Priscila Larocca, as alunas recorreram ao Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão da UEPG (Cepe). Foi aí que o assunto começou a ter sua dimensão ampliada. Embora a reprovação numa universidade seja algo comum, a pressão exercida pelos pais mobilizou a estrutura administrativa da UEPG, que vem discutindo o processo há quase 15 dias.
O professor Roberto Frederico Merhy, reitor da UEPG, chegou a receber os pais das alunos para discutir a reprovação delas. Alguns membros do Cepe, o que não é comum nesse tipo de processo, chegaram a ouvir a mãe de Desireé, que é professora da UEPG no Departamento de Educação.
A situação estava sendo discutido em uma reunião do Cepe, na tarde de ontem. A Folha procurou ouvir o reitor Roberto Frederico Merhy, mas ele está viajando. A vice-reitora, Leide Mara Schimth, também não pôde falar porque participava da reunião do Cepe, que até o final da tarde ontem não havia terminado.
Os quatro alunos reprovados integravam uma turma de 24 acadêmicos. A formatura está marcada para 6 de fevereiro. Uma das reprovadas é presidente da comissão de formatura.
A Fenaj não concorda com o posicionamento que a direção da UEPG vem tomando diante da situação, ao procurar uma maneira de questionar o sistema de avaliação do professor, com o objetivo de propor uma reavaliação das reprovadas. A Fenaj avalia que essa atitude depõe contra a moralização do curso e a valorização da formação profissional do jornalista. Elson Faxia, ex-professor da UEPG e diretor de ensino da Fenaj, disse estar indignado com tudo o que está acontecendo na Universidade de Ponta Grossa. Faxina entende que não se pode tolerar atitudes questionando critérios de avaliação de um professor pós-graduado e conceituado em faculdades de Comunicação de todo o Brasil.


