O clima de fim de ano no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Ibiporã, é tudo o que não se espera de uma escola no encerramento de um ano letivo, principalmente se analisada a frustação de professores e de parte dos estudantes do 3º ano do ensino médio. Dos 240 alunos no terceiro colegial da instituição, 96 foram reprovados (40%). O caso está sendo avaliado por uma comissão especial de verificação e apuração de irregularidades, instituída pelo Núcleo Regional de Ensino, que considera o número de reprovações assustador.
O núcleo determinou que a escola e seus alunos permaneçam em aula até sexta-feira, com a justificativa de que precisam ser cumpridos os 200 dias letivos obrigatórios. Mas com as notas finais já divulgadas, a frequência é pequena. Professores parecem mais entusiasmados do que os estudantes. ''Reprovei e não sei porque tenho que vir para aula'', reclamou um deles. Gerson Mori, diretor do Olavo Bilac, recebe ligações de mães perguntando se há necessidade de mandar os filhos para o colégio. ''Se o filho já passou ou reprovou, o pai acha que não precisa ir para a escola. Explico que estamos trabalhando por determinação do núcleo'', diz. Segundo ele, a maior parte dos alunos que cumpre a determinação já está aprovada.
A pressão sobre o diretor e os professores é grande desde a divulgação das notas finais, na semana passada. O pai de um aluno que passou no vestibular e reprovou no ano letivo teria denunciado o corpo docente, questionando as notas e a avaliação através de um abaixo-assinado. Na sexta-feira, a cerimônia de formatura do 3º colegial teve que ser feita sob guarda policial. As ameaças à mãe de uma aluna acabaram virando até mesmo boletim de ocorrência.
A escola alterou a método de avaliação este ano, trocando o conceito por legenda, que utilizava letras, e notas entre 1 e 10. A média exigida para aprovação é 5. Diretor e professores justificam a mudança com a necessidade de melhor preparação dos alunos.
Mas há também estudantes que elogiam a iniciativa da diretoria. Um grupo que não quis se identificar, temendo represálias, defende que quem preocupou-se com o estudo conseguiu cumprir a meta. ''Éramos chamados de 'os nerds' do terceirão, enquanto essa turma não queria saber de nada. Não dá para acreditar que agora querem ser aprovados na marra'', reclama uma estudante.
A professora Clariceia Rabelo Borges, 42 anos, diz que já viveu em casa as duas situações. ''Uma das minhas filhas passou, mas outra também foi aprovada no vestibular e reprovou na escola. Eu conheço a minha filha e sei que ela precisava repetir mesmo, e foi o que aconteceu'', afirma.

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