Repressão faz preço de armas disparar
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domingo, 26 de outubro de 2008
Folhapress 
São Paulo - Os preços de fuzis no mercado ilegal de armas brasileiro aumentaram até quatro vezes entre 2005 e 2008, segundo a Divisão de Repressão ao Tráfico de Armas da Polícia Federal. De acordo com o chefe da divisão, delegado Marcos Dantas, o motivo é a escassez de armamentos no ''mercado negro'' internacional, provocada por inúmeros tratados internacionais e pelo aumento na repressão.
Em entrevista, Dantas explicou que um fuzil AR-15 calibre 5.56 milímetros, por exemplo, era comprado de traficantes de armas por um preço que variava de R$ 5 mil a R$ 7 mil, em 2005. Hoje, ele conta, os criminosos precisam desembolsar, pelo menos, R$ 20 mil, para que uma arma desse tipo seja entregue ilegalmente na cidade de São Paulo.
Já pistolas 9 milímetros, a principal arma traficada para o Brasil, teve um aumento de preço de até três vezes, passando de R$ 800, em 2005, para R$ 2.500 em 2008. ''O que aconteceu, da década de 1990 para cá, é que muitas convenções internacionais fizeram com que houvesse controle maior sobre as armas e o mercado ficasse mais escasso. É a lei de oferta e demanda'', disse.
O delegado afirma que, por conta da repressão da Polícia Federal, os traficantes têm evitado trazer grandes carregamentos de armas para o Brasil, optando pelo chamado ''tráfico formiguinha'' ou ''conta-gotas'', em que são trazidas pequenas quantidades.
Migração
O Lago Itaipu, em Foz do Iguaçu, e os pequenos rios da bacia do Tietê-Paraná têm sido usados como uma nova rota para o contrabando de armamento para o Brasil. Depois de cruzar a fronteira com o Paraguai nessas águas, traficantes de armas usam estradas vicinais paranaenses para movimentar seu carregamento e, depois de alguns quilômetros dentro do território brasileiro, esses criminosos passam a utilizar grandes rodovias estaduais.
Segundo o chefe da divisão, Marcos Dantas, a nova rota passou a ser ainda mais utilizada devido à ampliação da fiscalização nas cidades paranaenses de Foz do Iguaçu (que ganhou um posto aduaneiro em 2006) e Guaíra, onde há ligação terrestre com o Paraguai.
Com a nova rota, os traficantes também passam a evitar as principais rodovias internacionais: a BR-277, que parte de Foz do Iguaçu, e a BR-272, que sai de Guaíra. ''É a lógica do crime organizado, quando você começa a reprimir uma atividade em certa área, eles obviamente migram'', explica Dantas.


