‘Repressão é papel
das delegacias
especializadas’
O delegado titular do Grupo Fera, Adauto de Oliveira, deverá enviar um requerimento à Secretaria de Estado da Segurança Pública solicitando a extinção da resolução secretarial que permite que todas as delegacias e distritos do Paraná procedam a repressão ao narcotráfico. A justificativa é a de que a descentralização aumenta os riscos de corrupção policial, extorsão, envolvimento de policiais com o tráfico e dificulta o controle das informações. ‘‘A autuação de um traficante acaba sendo registrada junto com uma briga entre vizinhos, lesões corporais, furtos simples. Mas é algo de grande importância e necessita de um trabalho mais efetivo, especializado’’, argumenta.
A preocupação com a facilidade de desvio de drogas ou de negociação com os detidos também é um dos motivos da elaboração do requerimento. Desde 96, quando foi nomeado para ser o interventor da Delegacia de Antitóxicos de Curitiba, Oliveira estuda o envolvimento de policiais civis com o narcotráfico. Este ano, a preocupação foi intensificada após as prisões decretadas pela CPI do Narcotráfico. Quatorze policiais (entre investigadores e delegados) foram presos e outros 13 ainda estão sendo investigados.
Uma Comissão de Sindicância do Estado foi criada para levantar as provas contra os policiais citados na CPI e já ouviu ex-delegados gerais da Polícia Civil (Tóleb Balech Barbosa, Newton Rocha e Arthur Braga) e os atuais delegados Marco Antonio Lagana (que até anteontem respondia como delegado-geral), Otávio Francisco Dias (que respondia pela Corregedoria) e Adauto de Oliveira. Amanhã, a comissão se reúne novamente para discutir algumas propostas de melhoria da estrutura da Polícia Civil. Entre as propostas que serão estudadas está a criação de uma delegacia especializada em crimes cometidos por funcionários públicos. A proposta foi defendida por Lagana, Dias e Barbosa.
Já o ex-secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, acha que não existe a necessidade de mais uma delegacia. ‘‘Temos que reequipar as delegacias já existentes’’, declara ele, ao defender que a própria Corregedoria poderá desenvolver o papel de fiscalizadora dos funcionários públicos do Estado. (L.P.)

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