Um documento reivindicando a demissão do secretário estadual de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, será enviado hoje ao governador Jaime Lerner (PFL). O documento foi aprovado na noite de anteontem, por unanimidade, por representantes de 25 entidades - sendo que nove delas já tinham discutido e aprovado a proposta internamente - e populares de Londrina. A reunião foi organizada pelo Centro de Direitos Humanos (CDH) para discutir a questão da insegurança na cidade.
As entidades aprovaram também a divulgação de um manifesto em que consideram caótica a situação da segurança pública em Londrina. ‘‘Os problemas são amplamente conhecidos pelas autoridades estaduais; mas a Secretaria de Segurança tem mantido uma posição de inércia frente à situação’’, afirma o documento.
O manifesto lembra que a sociedade organizada já apresentou, há vários meses, suas propostas para o setor de segurança na região metropolitana de Londrina. ‘‘Porém, o atual secretário de Segurança, que está no cargo há quase quatro anos, ainda não apresentou soluções concretas à população da cidade’’, critica o documento, que também será encaminhado ao governador.
Participaram da reunião de anteontem representantes do Conselho Municipal de Segurança, da OAB, do Ministério Público, da Federação das Associações de Moradores, de sindicatos de trabalhadores, e de outras organizações não governamentais. Além da substituição de Cândido de Oliveira, o movimento reivindica a conclusão das obras da Cadeia Pública, solução para a falta de equipamentos e pessoal no Instituto Médico Legal, e aumento no efetivo da Polícia Civil.
‘‘Londrina está abandonada pela Secretaria de Segurança. O atual secretário trata o nosso problema de insegurança com total descaso’’, ressalta o advogado Edmilson Nogima, diretor do CDH. Segundo ele, 54% do efetivo da Polícia Civil do Paraná estão concentrados na região metropolitana de Curitiba. ‘‘Isto é um absurdo. Enquanto isto, Londrina tem apenas seis investigadores para fazer todo o trabalho.’’
Ainda segundo ele, é pela falta de policiamento ostensivo nas ruas que ocorrem crimes como o da advogada Alexandra Disseró, 28 anos, que morreu num bar na última quinta-feira atingida nas costas por uma bala perdida durante tiroteio. ‘‘Esta morte não foi acidental. Este tipo de acontecimento está sendo previsto e denunciado pelas entidades há meses. Mas as autoridades estaduais se negam a tomar as providências necessárias. Novos assassinatos podem ocorrer se nada for feito’’, prevê Nogima.
As entidades voltam a se reunir hoje à noite, a partir das 19h30, no auditório da OAB, na Rua Professor João Cândido, 344, 4º andar (edifício Tuparandi). A reunião é aberta a toda comunidade.César AugustoUnanimidadeRepresentantes de 25 entidades de Londrina, durante reunião que aprovou o envio de documento pedindo a demissão do secretário de Segurança Pública e propondo medidas de segurançaOsmani Costa

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