Representante fica detido por 24 horas
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quarta-feira, 20 de janeiro de 1999
Marcos Zanatta 
A negociação de uma dívida entre uma distribuidora de frutas de Belo Horizonte com produtores de uva de Marialva (17 km a leste de Maringá) acabou na delegacia, depois que os fruticultores mantiveram um representante da empresa em cárcere privado por quase 24 horas. O assistente administrativo da Cooperfruta, Laci Julião Ribeiro Costa, 31 anos, estava em Marialva para negociar a dívida de R$ 60 mil com um grupo de aproximadamente 50 produtores. A empresa comprou 50 toneladas de uva e pagou com cheques sem fundos.
Anteontem, ele se reuniu com os credores no barracão do intermediário na negociação, Claudemir Cândido. A proposta da empresa, segundo Costa, era de pagar parte da dívida porque a Cooperfruta enfrenta dificuldades financeiras. Sempre compramos uva deles e nunca tivemos problema, disse Costa.
Os produtores alegam que Costa chegou com cerca de R$ 19 mil e com a proposta de pagar apenas 30% da dívida e levar os recibos quitando o valor. Eles querem pagar só uma parte para comprar de novo, mas nós não aceitamos, disse José Gonçalves Filho, um dos produtores.
Sem acerto, os agricultores decidiram segurar Costa no barracão até que a empresa pagasse toda dívida. Na segunda-feira, policiais foram até o local, mas Costa disse que estava apenas negociando com os produtores. Ontem, o delegado de Sarandi, José Aparecido Jacovós, que está respondendo pela delegacia de Marialva, disse que ficou preocupado com o problema e resolveu conversar com Costa.
Ele confirmou que estava em cárcere privado e decidi negociar com os agricultores e tirar a vítima de lá, contou Jacovós. Na delegacia, Costa disse à Folha que ficou no barracão com os produtores porque queria agilizar o pagamento.
No início da tarde, quase 24 horas depois do início da negociação, Costa e os produtores foram para a delegacia, onde foi apresentado queixa por estelionato contra a empresa. Os produtores têm cheques emitidos entre abril e maio do ano passado pela Cooperfruta e devolvidos por falta de fundos.
A empresa prometeu depositar até o final da tarde pelo menos R$ 10 mil. Reconheço que nós falhamos em demorar tanto para abrir negociação com os agricultores, mas queremos pagar tudo, garantiu Costa.


