Representante da ONU visita ocupações irregulares
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domingo, 11 de junho de 2006
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba O Coordenador de Gestão Urbana da ONU (Agência Habitat), Ives Cabannes, visitou ontem duas ocupações irregulares em Curitiba e Região Metropolitana. A visita foi acompanhada por várias entidades que já se mobilizam contra os despejos forçados. Entre elas MNLM Movimento Nacional da Luta pela Moradia (MNLM). As áreas visitadas foram a Ocupação Jardim Bela Vista - Fazenda da Ordem no bairro Tatuquara em Curitiba e a Ocupação Vila União do Município de Almirante Tamandaré. Ambas são ocupações irregulares ameaçadas de despejo.
De acordo com o coordenador estadual do MNLM, Anselmo Schuwetiner, o objetivo da visita de Cabannes foi fazer um monitoramento dos despejos forçados em Curitiba e RMC.
A coordenadora estadual do MNLM, Hilma de Lourdes Santos, disse que hoje moram 350 famílias na ocupação do Tatuquara. Segundo ela, a área foi ocupada em setembro de 2004 e há a intenção dos proprietários em negociar mas, até agora, não se chegou a um acordo.
Segundo Hilma, a ocupação de Almirante Tamandaré tem 500 famílias em uma área de 69 mil m2 que estão lá desde janeiro de 1995. A Prefeitura de Curitiba informou que na ocupação Moradias da Ordem está quase tudo regularizado e as famílias vão ser relocadas para uma área próxima. Na ocupação Jardim Bela Vista, que é uma área particular, a Prefeitura de Curitiba aguarda a documentação do proprietário.
Segundo informações da ONG Terra de Direitos, em fevereiro de 2005, uma missão de especialistas em despejos forçados da ONU realizou visita similar. Com um recurso financeiro repassado pela ONU na época, o grupo escolheu quatro cidades para visitar, entre elas Curitiba, o único município brasileiro a receber a missão. De Curitiba, o grupo de especialistas recebeu sete denúncias de despejos entre 2003 e 2004, envolvendo cerca de 2.500 pessoas.
Existem hoje mais de 260 áreas com irregularidades fundiárias e urbanísticas em Curitiba e cerca de 800 na região metropolitana, segundo a ONG Terra de Direitos. A Prefeitura de Curitiba confirmou 258 áreas públicas e particulares com irregularidades.


