Reposição salarial é uma das sugestões feitas na pesquisa
As psicólogas Roxane Cassanelli Ratin e Eliane Bernardelli fazem sugestões para mudar a atual situação. Elas alegam que seria fundamental a implantação da isonomia salarial, contemplando a reposição de perdas no período; melhores condições humanas e adequadas de trabalho; resgate da função do investigador, atualmente atuando indevidamente como agente carcerário; treinamento e cursos de reciclagem para policiais e delegados; programa de avaliação e atendimento periódico do setor psicossocial aos policiais distritais. Talvez não sejamos atendidos, mas temos que tentar. Por isto fizemos o estudo, afirma.
O estudo será enviado esta semana para o Departamento de Polícia Civil e para a Secretaria de Estado de Segurança Pública. Ontem, a reportagem da Folha entrou em contato com o delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, que não quis comentar o assunto. Ele disse que quer ler o relatório antes de se pronunciar oficialmente.
Os policiais civis acreditam que as principais necessidades de investigadores e escrivães atualmente são dinheiro, realização, condições de trabalho, responsabilidade e segurança. Se não forem considerados os votos em branco e nulos (que equivalem a 27% do total), o índice de policiais que reclamam da falta de dinheiro é de 33%. Os que vivem apenas do soldo de seus salários dizem que têm que conviver com cortes de luz, água e telefone. Eles ingressam na polícia pensando em ser um super-herói e se sentem marginalizados. Pelo governo, que paga pouco. E pela sociedade, que os confunde com marginais, destaca Roxane.
Dos 206 policiais civis analisados pelas psicólogas, 67% disseram que gostariam de ter atendimento psicossocial. Eles gostariam de falar sobre seus problemas profissionais e pessoais. Os principais pontos que precisariam ser trabalhados, de acordo com a pesquisa, seriam as dificuldades conjugais, sintomas emocionais como depressão, baixa autovalorização, frustração, fuga do real, abuso de drogas lícitas e ilícitas. Eles querem ajuda, mas ninguém faz nada. Precisamos de investimentos nesta área, disse Roxane. (L.P.)





