Reposição do quadro de funcionários é desafio
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sexta-feira, 06 de junho de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina - Prestes a assumir a superintendência do Hospital Universitário (HU) de Londrina, a enfermeira Elizabeth Ursi tem consciência do grande desafio que tem pela frente. Eleita com 77,58% dos votos válidos, ela é a primeira não médica a ganhar a disputa na história do hospital. A chapa da nova diretoria da instituição é formada pela diretora clínica Susana Lílian Wiechmann, diretoria de enfermagem Vivian Feijó e diretor administrativo Rodrigo Martins de Souza. A equipe assume as atividades no dia 11 de junho, após nomeação do governo do Estado.
Segundo Elizabeth, os próximos dias são de reuniões para conhecimento mais profundo das áreas do hospital, o que inclui a passagem de gestão pela atual superintendente, Margarida Carvalho, a qual deve entregar um relatório final.
"Com essas informações daremos início à implantação e execução do nosso plano diretor. A partir de então, poderemos colocar as primeiras ações em prática", diz ela, sem antecipar quais serão as medidas imediatas de sua gestão, que segue até 2018.
Apesar disso, Elizabeth declara que uma das frentes de trabalho será, certamente, a gestão de pessoas, devido à falta crônica de profissionais na instituição. "Hoje não estamos nem falando de ampliação do quadro, mas de reposição. Muita gente se aposentou, outros morreram e também houve muita exoneração. Nosso deficit atual gira em torno de 300 pessoas. Contudo, temos a perspectiva, numa previsão grosseira, de mais 200 profissionais que vão se aposentar nos próximos dois anos. Isso vai agravar demais nossa situação", pontua Elizabeth, dizendo esperar o apoio da reitoria na sensibilização ao governo do Estado para que a reposição aconteça o quanto antes.
Com dois concursos já realizados, porém, não homologados, a nova superintendente lembra da falta de autonomia da instituição relacionada à contratação. "Temos esse limitador e precisamos da autorização do governo. Tudo depende de articulação política." Como trata-se de um ano eleitoral, o último dia de chamamento é 6 de junho.
A falta de profissionais, conforme ela, não só compromete a qualidade do serviço ofertado, como também sobrecarrega os que atuam na instituição. "Eles estão trabalhando além do limite. Percebemos o quanto estão exaustos, porque a gravidade do paciente não diminui nunca. Precisamos criar uma ação interna de motivação, para que entendam o quão importantes são para a instituição e como a instituição é importante para o sistema de saúde. E que ainda tenham força de aguentar mais um pouco até a reposição acontecer."
SUPERLOTAÇÃO
Sobre os constantes episódios de superlotação e fechamento do pronto-socorro, Elizabeth comenta que trabalhar com quantitativo de pacientes idealizado é impossível. "Fazemos parte de um sistema de saúde que está complicado em todo o Brasil. O HU é um hospital escola, de alta complexidade e 100% público. Teremos sempre um número grande de pacientes e graves porque somos referência." Por isso, ela explica que, mesmo com o fechamento do PS, pacientes continuam sendo encaminhados por serviços como Samu, Siate, Pronto Atendimento Municipal (PAM) e Unidade de Pronto Atendimento (UPA), além da busca direta.
Ciente de mais esse problema, a nova superintendente acredita que otimização dos próprios leitos e revisão do fluxo interno podem melhorar a situação. "Também acredito numa gestão política, junto à Secretaria Municipal de Saúde e comitês de Urgência e Emergência, para que façamos alguns pactos com os demais serviços do município e que seja melhorado o tipo de encaminhamento que está sendo feito para o HU. O nosso desejo é que fôssemos um PS 100% referenciado. Ou seja, recebêssemos os pacientes trazidos apenas pelo Samu e Siate, e que já tiveram um direcionamento para cá por sua gravidade. Ou que estavam sendo atendidos em unidades menos complexas e que precisaram do HU. Até lá, alguns pontos pactuados com o gestor e com os comitês nos ajudaria bastante nesse enfrentamento", argumenta.
HOSPITAL ESCOLA
A mudança das diretrizes curriculares nacionais com relação aos curso de Medicina também trará mudanças significativas no cenário das instituições de atendimento terciário. "Hoje, o enfoque dos cursos é mais terciário, quando o aluno está aqui dentro. Nessa pactuação, haverá uma inserção maior desse aluno na atenção primária e secundária do município, tentando resgatar esse novo entendimento do atendimento SUS", explica Elizabeth.
Dessa forma, a reformulação, de acordo com a nova superintendente, vai acarretar numa revisão do papel da instituição junto ao órgão formador, o Centro de Ciência da Saúde. "Nós temos o entendimento que essa superlotação por vezes atrapalha o processo de formação. Mas há a preocupação nossa de apoiar o Centro de Ciências, no sentido de resgatar o papel de aluno enquanto aluno dentro da instituição. O aluno não é um prestador de serviço. O aluno é aluno."
Outra situação que ela ressalta é a questão do programa Mais Médicos, que também proporcionou uma mudança do modelo de contratualização do serviço com o gestor municipal. "Serão, portanto, essas duas vertentes que teremos de nos adaptar nos próximos meses."
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