Osmani Costa
O repórter Fábio Silveira, do Jornal de Londrina (JL), esteve na manhã de ontem na sede do 5º Batalhão da Polícia Militar (BMP) e identificou o soldado que atirou nele com balas de borracha no último dia 7, quando trabalhava na cobertura de uma manifestação de moradores da Vila Yara (zona leste da cidade). O protesto foi contra o atropelamento de um estudante na rodovia que atravessa o bairro e foi reprimido com violência por policiais da Tropa de Choque e da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone).
Comparando imagens de fitas de vídeo de emissoras de televisão e fotografias feitas por profissional do próprio JL com o álbum de fotos dos policiais do 5º BPM, Silveira identificou – ‘‘sem nenhuma dúvida ou margem de erro’’ – o soldado Sander Cássios Negri como o autor dos disparos de duas balas de borrachas que atingiram sua perna direita. Ele não viu e portanto não consegue identificar o autor do terceiro disparo, que o atingiu na testa.
O jornalista contratou o advogado César Bessa para entrar na Justiça com ação indenizatória por perdas e danos morais. ‘‘Espero que o soldado seja exemplarmente punido, porque foi sacana e maldoso ao atirar. Mas só punir um soldado raso não basta, porque ele estava lá cumprindo ordens superiores. Por isso, quero responsabilizar o comando da operação e o Estado, que estão acima do agressor direto e são os que ordenam como o pelotão deve agir’’, ressaltou Fábio Silveira.
De acordo com o repórter, o soldado Sander Negri já teria admitido para o comando do 5º BPM que foi o autor dos disparos contra ele. O presidente do Inquérito Policial Militar (IPM), major José Cesário de Paulo, não confirmou esta versão. Segundo ele, os policiais acusados de excesso de violência na repressão ao protesto dos populares só serão interrogados na próxima semana.
Nesta primeira semana de trabalhos, o IPM tomou os depoimentos de cerca de dez pessoas, vítimas das agressões e testemunhas do incidente. Na noite do protesto contra a insegurança no trânsito na Vila Yara – onde Diogo Bueno, 13 anos, foi atropelado e morto –, 18 pessoas foram presas e cerca de dez foram agredidas fisicamente, entre elas três profissionais da imprensa.
‘‘O saldo desta semana foi bastante proveitoso. Na próxima fase, vamos ouvir os policiais diretamente envolvidos no confronto, que são aproximadamente dez. Depois voltaremos a ouvir testemunhas para contrapor os depoimentos’’, afirmou o major José de Paulo. Ele tem 40 dias para concluir as investigações e apresentar o relatório do IPM. Até ontem, nenhum policial militar foi punido ou afastado de suas funções, apesar de o comandante geral da PM do Paraná, coronel Guaraci Moraes Barros, já ter admitido publicamente que houve erros técnicos na operação e excesso de violência na repressão aos manifestantes.

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