Reportagem da Folha ajuda auxiliar a encontrar irmãos
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sexta-feira, 29 de julho de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Cianorte O auxiliar de produção Orlando Maciel, de 47 anos, está bem próximo de conhecer seus irmãos biológicos. Adotado por uma família de agricultores, um dia após a morte da mãe e de um irmão gêmeo no parto, Maciel teve várias oportunidades de voltar ao passado, mas resistiu a todas. Ficou sabendo por acaso que tinha outra família. No início do mês, com ajuda de uma funcionária do Cartório Eleitoral de Cianorte, onde mora, descobriu o nome de quatro irmãos no cadastro do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e decidiu agir.
Relatar a história em alguns meio de comunição era a sua esperança. E a iniciativa, por mais improvável que se apresentasse, surtiu resultado. Ontem, ele ligou na redação da Folha de Londrina para contar que o encontro com os irmãos desconhecidos deve acontecer em breve, graças a uma matéria publicada pelo jornal na edição de 8 de julho. ''Na semana passada, uma mulher ligou em casa dizendo que era minha irmã. Disse que tinha visto a matéria na Folha e que a minha foto tinha os traços da família dela''. Ela teria reconhecido ainda como autêntico o nome dos pais de Maciel, que constam em sua certidão de nascimento. ''Tudo isso bateu, pelo que conversamos, eles são mesmo meus irmãos'', afirmou.
Todos moram hoje em Ibaiti, no Norte Pioneiro. Três deles são do primeiro casamento do pai, o agricultor Sebastião Maciel, que segundo o auxiliar, morreu em 1998. Maciel descobriu que tem ainda mais dois irmão de um segundo casamento. ''Fiquei mais tranquilo depois que recebi essa notícia. Tive muitas chances de conhecer meus irmãos, mas nunca tive muita coragem de correr atrás. Dessa vez, graças a Deus, creio que tudo vai dar certo''.
Para realizar o sonho de conhecer os irmãos, no entanto, Maciel precisa de dinheiro para pagar a passagem de ônibus até Ibaiti. De família simples, trabalha como auxiliar de produção em uma lavanderia da indústria de confecções de Cianorte, mas está em contrato de experiência. ''Não sei até quando vou ficar nesse emprego, e hoje não tenho dinheiro para pagar o ônibus. Combinei com minha irmã de viajar assim que sobrar algum''.
A prefeitura de Cianorte, por outro lado parte ativa nessa cruzada particular em busca do restou da família Maciel deve custear a passagem de ônibus. Ontem mesmo, de acordo com assessoria de imprensa, o gabinete faria em algumas empresa de ônibus uma cotação de preços. Se tudo correr dentro do planejado, Maciel deve conhecer os irmãos na próxima semana.
Maciel afirmou ainda que uma irmã continua desaparecida. ''Ela teria se mudado para São João do Ivaí há mais de 20 anos. Meus irmãos nunca mais tiveram notícia dela''.


