A subseção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou semana passada o resultado do seu segundo exame de 2006, para a admissão de novos membros. Em todo o Estado, 761 candidatos foram aprovados, de um total de 4.899 inscritos. O índice de 15,53% está dentro da média que a prova vem tendo nos últimos anos, e reacende a polêmica questão da dificuldade do exame.
''É difícil para aqueles que não se preparam e bastante razoável para os bem-preparados. Se a prova tivesse um nível absurdo de exigência não haveria tantos candidatos aprovados na primeira tentativa'', assegura Artur Piancastelli, coordenador regional do exame em Londrina. ''A aprovação depende mais da qualidade de ensino jurídico e pessoal dos candidatos'', considera, acrescentando que o ensino que o jovem recebeu durante a vida e seu preparo ao ingressar na faculdade também são fatores determinantes.
O exame existe desde a década de 1970, mas o formato atual foi instituído em 1994. Desde então, segundo Piancastelli, a prova vem sendo modificada, mas o nível de conhecimento exigido não se alterou, apesar de os índices de aprovação terem diminuído. ''A prova não ficou difícil, mas sim mais criteriosa e bem-elaborada'', garante.
Para Piancastelli, o fato de os cursos particulares terem uma porcentagem menor de aprovação, em relação aos públicos, deve-se mais à formação prévia, preparo e empenho do próprio acadêmico, que encontra mais facilidade e menor concorrência para ingressar em uma faculdade particular. Como as universidades públicas têm um número maior de candidatos, o vestibular acaba ''filtrando'' melhor a entrada. O que não significa, porém, que não existam faculdades com qualidade de ensino inferior a outras.
A falta de preparo atinge também outros níveis. De acordo com o advogado, as vagas para magistratura e Ministério Público geralmente não são totalmente preenchidas, apesar do grande número de candidatos.
Vale lembrar que quem faz a faculdade de Direito não é obrigado a prestar o exame da OAB. ''As pessoas costumam confundir, achando que o curso de Direito forma só advogados. Na verdade, ele forma bacharéis em Direito, e, a partir daí, o profissional vai ter diversas opções de áreas. A advocacia é apenas uma delas. Só faz o exame da OAB quem quer exercer a advocacia ou prestar determinados concursos na área jurídica'', esclarece Piancastelli.
Ele destaca que boa parte dos concursos não exige o exame, lembrando que há vagas para carreiras públicas com salários que podem chegar a R$20 mil. Quem não deseja advogar pode ainda se tornar professor, trabalhar em órgãos públicos como a Receita Federal ou em determinadas áreas da carreira jurídica e até em alguns cargos da diplomacia.

mockup