Comprar uma réplica de arma de fogo já não é tão fácil como alguns tempos atrás. Segundo alguns camelôs ouvidos pela Folha, a repressão policial, principalmente da Polícia Federal, inibiu o contrabando desses ''brinquedos'' trazidos do Paraguai. Mesmo assim ainda é possível encontrar réplicas perfeitas de armas.
A Folha esteve semana passada no camelódromo (centro de Londrina) e encontrou em uma das bancas do local uma réplica da pistola Magnun 357 por apenas R$ 4,00. O vendedor, que não quis se identificar, afirma que o ''brinquedo'' vem do Paraguai.
Os outros comerciantes do local que trabalham com brinquedos afirmam que foram alertados por policiais que se fossem pegos vendendo réplicas de armas de fogo poderiam ter suas mercadorias apreendidas. Um dos donos de bancas entrevistados, que também não quis se identificar, afirma que não vendia nem mesmo armas de brinquedo estilizadas, como a maioria dos outros camelôs. ''Tenho trauma dessas armas'', diz.
Ele conta que teve um prejuízo de R$ 5 mil quando tentava atravessar a Ponte da Amizade (fronteira entre o Brasil e Paraguai) com algumas réplicas de armas entre as mercadorias que trazia para Londrina. ''A polícia apreendeu tudo que havia comprado'', diz.
A dona de uma banca no camelódromo, Josiane dos Santos Toledo, disse que também vendia réplicas de armas. ''Encomendava porque a procura era grande. Tudo que trazia era vendido rapidamente.'' Segundo ela, os clientes que compravam esses produtos eram geralmente adelescentes e maiores. ''Confesso que eram pessoas estranhas, que falavam muita gíria. Teve até um rapaz que quando viu uma cartucheira calibre 12 disse: 'Com essa arma assaltava até um banco''', comenta.
Mas em quase todas as bancas que comercializam brinquedos é possível comprar armas de brinquedo estilizadas de vários tamanhos e cores. Nas grandes lojas de departamento da cidade também se encontra facilmente armas de brinquedos das mais variadas formas e cores.
Segundo Verônica Almeida, proprietária de uma banca no camelódromo, esse tipo de brinquedo já não tem tanta saída. Mas isso porque, segundo ela observa, muitos pais não deixam seus filhos comprá-las. ''Uma mãe quase me 'bateu' porque vendo esse tipo de brinquedo. O filho da mulher ficou louco pela metralhadora que estava na vitrine e ela reclamou comigo. Fiquei constrangida, e depois disso tirei esses brinquedos da vista das crianças'', conta.

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