Depois de se aposentar como mecânico, em 2003, Délcio Marteli, 60 anos, pôde se dedicar ao seu outro dom: confeccionar réplicas de carros, motos, tratores, colheitadeiras e tudo o mais que está ligado ao universo da mecânica.
As réplicas de Marteli, conhecido como Piri, levam em conta todos os detalhes e, alguns, são até elétricos. Ligada a uma bateria, a colheitadeira de cana funciona como a máquina real. Rodas, faróis, mecanismos para o corte da cana, tudo funciona perfeitamente.
O que impressiona, além do mecanismo, é que o compartimento para ferramentas no caminhão, o estofado, o porta-luvas, as maçanetas que giram, os motores nos carros são lembrados nas réplicas. E tudo isso é feito a partir de sucata - alumínio, plástico, madeira.
O ex-mecânico encontra toda a sua matéria-prima em ferros-velhos. Outra parte é doada. Marteli é conhecido pelos procopenses, que muitas vezes lhe encaminham materiais que podem ser úteis.
Suas peças já foram reconhecidas nacionalmente no concurso Talentos da Maturidade, do Banco Santander, em 2009 e 2010. Em Cornélio Procópio (Norte), elas ficam expostas na Casa do Artesão, também para venda.
Apesar de Piri estar ciente disso, cada peça que é vendida é motivo de tristeza para o aposentado, diz a vice-presidente da Associação dos Artesãos de Cornélio Procópio, Leila Maria Favoretto Spagolla. ''Para cada uma que vai embora, ele fica com um bicão. Perde um filho. Nem pergunta qual foi vendida'', revela. As peças de Piri já foram vendidas para Curitiba, Maringá e São Paulo.
Em plena atividade
Quando a reportagem chegou à Casa do Artista, Piri já estava à nossa espera e não perdeu tempo. Apresentou-se rapidamente e logo foi ligando a colheitadeira na bateria para fazê-la funcionar. Depois, foi mostrando as outras criações uma por uma.
''A D10 vez com tudo dentro. Motor, porta-luvas, caixa de ferramentas. Essa é a Ford 350, com rodas duplas atrás. A Rural abre com dois compartimentos no fundo. O ônibus da Mercedez tem até banheiro dentro'', finaliza, fazendo abrir a porta do banheiro do ônibus.
Fusca, calhambeque, Izetta, retroescavadeira. Piri já perdeu a conta de quantas réplicas já fez. Só na Casa do Artesão havia dezenas delas espalhadas pelo espaço. Mas, no momento, ele já finaliza duas novas obras, um caminhão e um motohome. Além disso, o aposentado também pega encomendas.
Cada uma, ele diz, demora de três a cinco meses para terminar. As peças custam de R$ 800 a R$ 6,5 mil. Mas o talento, mesmo, não tem preço.
Desde criança, Piri afirma que fabricava os próprios brinquedos. Em 1968, fez o seu primeiro Kart e um tratorzinho de esteira. A primeira réplica veio em 1978, mas ao seu aposentar é que teve tempo para aperfeiçoar sua arte, dando a ela movimento com fios e controles remoto. Agora, ele também pensa em um projeto de cadeira que sobe o meio-fio.

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