Um enorme casarão de madeira abrigava o escritório da Companhia de Terras do Norte do Paraná (CTNP), uma das únicas construções em Londrina na segunda metade da década de 30. A casa se localizava na esquina das ruas Minas Gerais e Maranhão (onde fica atualmente o Cine-Teatro Ouro Verde) e era o ponto de encontro de imigrantes à procura de terras na região. No terreno ficavam ainda a garagem, uma oficina e um pequeno anexo todo de concreto que servia de cofre.
Todas estas construções, acompanhadas dos detalhes mais minuciosos, podem ser vistas em uma maquete feita em 1947. Pertencente ao Museu Histórico Padre Carlos Weiss, a réplica passa atualmente por uma restauração, que está sendo feita pelo autor da obra, Hélio Minott Solci, de 74 anos.
Na época em que construiu a maquete, Hélio Solci estava com 23 anos e trabalhava de contínuo no almoxarifado da Companhia de Terras. Ele lembra que aprendeu a desenhar plantas de construções e foi baseado nesse conhecimento que montou a maquete. ‘‘Outras pessoas estavam interessadas no trabalho, mas acabaram desistindo’’, recorda.
A idéia de construir uma maquete surgiu quando a Companhia se mudou para uma outra casa mais moderna. ‘‘O Rotary pediu para abrir um museu lá, mas o chefe explicou que não podia. Foi quando tive a idéia de fazer uma réplica perfeita da casa’’.
A maquete era feita nas horas vagas e demorou um ano para ficar pronta. As paredes e cercas são de madeira e o telhado é de gesso. O telhado foi a parte que deu mais dor de cabeça a Hélio Solci. ‘‘Eu cortava pedaços de gesso, colocava, e depois moldava para dar o formato das telhas’’. São 12,4 mil telhas que compõem a cobertura da casa.
Hélio Solci pensou em todos os detalhes para tornar a réplica a mais próxima da realidade. Nas janelas foram colocados vidros de verdade e toldos de tecido. Ao lado de cada porta ele teve o cuidado de colocar o chamado ‘‘chora-paulista’’ (utensílio usado para limpar os pés). Para formar o gramado do terreno ele usou pedaços de bucha vegetal.
Depois de pronta, a maquete (de 1,31 metro por 76 centímetros) foi para o museu que existia na época. Durante alguns anos, Hélio Solci perdeu o contato com a sua obra porque foi trabalhar como comerciante e como piloto de avião. ‘‘Sei que mostraram a maquete em vários lugares’’. Cerca de um mês atrás, Hélio Solci recebeu um telefonema do Museu Padre Carlos Weiss dizendo que a maquete precisava ser restaurada. ‘‘Perguntaram se eu sabia quem poderia fazer esse trabalho e disse que eu mesmo podia fazer’’.
Trabalhando na restauração desde segunda-feira com a ajuda do neto Rafael (estudante de arquitetura), ele acredita que em mais uma semana conclui o serviço. O ‘‘gramado’’ terá que ser pintado, o vidro de uma das janelas precisa ser recolocado e será necessário fazer uma limpeza geral. ‘‘A cor do telhado sofreu uma mudança com o tempo, era mais forte. Mas estou pensando em deixar assim’’.
Ressaltando que a réplica é importante para ajudar a preservar a história da cidade, Hélio Solci confessa que às vezes não acredita ter feito este trabalho. ‘‘Talvez se fosse hoje eu não me proporia a fazer isso’’. A mulher de Hélio, Alzira Pegoraro Solci, diz que olhar para a maquete lhe traz muitas lembranças.

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