A experiência de 20 anos com plantas medicinais foi fundamental para o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) de Londrina, Paulo Guilherme Ribeiro, descobrir as propriedades e aplicações de inúmeras espécies.
A mais nova descoberta do pesquisador é o uso de compostos presentes em duas plantas, a Pimenta da Jamaica e Erva de Santa Luzia, no combate aos insetos, inclusive o transmissor da dengue, Aedes aegypti. ''Essas plantas têm a ação de repelir o inseto e também matar a larva do mosquito. Nós não pretendemos que a pessoa descuide da questão do recipiente com água parada, mas ela pode perfeitamente utilizar essa solução natural'', explica Ribeiro, ao afirmar que as plantas são de fácil cultivo, podendo ser plantadas nos quintais.
Para preparar a solução, o pesquisador recomenda o uso de 300 gramas de folhas, seja da Pimenta da Jamaica ou Erva de Santa Luzia, para cada 1 litro de álcool. ''É só colocá-las no álcool, em um recipiente com tampa. Deixe descansar por sete dias e depois é só usar na limpeza de casa ou na própria pele'', indica.
Para evitar o ressecamento da pele, que pode ser causado pelo álcool, Ribeiro recomenda uma colher de sopa ou mais de óleo de milho adicionada à solução. ''O óleo tem compostos naturais benéficos para a pele. São recursos baratos, acessíveis e que não trazem risco nenhum para as pessoas e animais'', completa.
Acesso
Outra alternativa apontada pelo pesquisador é misturar essa solução com a raiz de Vertiver, também mantida em álcool. ''É um capim que tem a capacidade de reter o solo, além de ser o melhor fixador que existe. Associado à Erva de Santa Luzia ou à Pimenta da Jamaica, ele auxilia na duração do repelente na pele por cerca de três horas'', diz.
Segundo Ribeiro, essa pesquisa vem sendo desenvolvida há três anos em uma busca por soluções alternativas no combate ao mosquito transmissor da dengue. ''Através de uma extensa pesquisa bibliográfica, descobrimos essas duas plantas que são eficazes e que têm disponibilidade em nossa região. Isso é importante porque todo mundo pode ter acesso, seja cultivando em casa ou até mesmo em espaços públicos'', afirma.
Novidade
O pesquisador Ribeiro também ressalta que essas soluções podem ser tidas como novidades por não haver nenhum trabalho relacionado a essa combinação de plantas no Brasil.
Durante a pesquisa, ele também constatou que o uso continuado de fumacê ou outros inseticidas pouco tóxicos aos seres humanos acaba desenvolvendo certa resistência em mosquitos adultos, ao contrário dos efeitos naturais das soluções extraídas das plantas. ''Esse fenômeno de resistência aos inseticidas é uma característica natural. Por isso, estamos sempre buscando novas alternativas e com custo baixo'', ressalta.

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