Falta de emprego e de terra e dificuldades para a legalização de documentos no Paraguai estão provocando a ‘‘repatriação’’ de milhares de brasiguaios. Sem opção, a maioria volta ao Paraná e engrossa as fileiras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
De acordo com o próprio MST, os ex-emigrantes já representam 15% dos integrantes do movimento no Estado. Os brasiguaios somam cerca de 380 mil pessoas - 9% da população do Paraguai, segundo o governo paraguaio.
Mauro Bieluz, de 42 anos, é um exemplo do processo que está ‘‘repatriando’’ os brasileiros. Ele mudou-se para o Paraguai há 18 anos. Até a semana passada, trabalhava em uma madeireira. Ganhava 600 mil guaranis por mês (o equivalente a R$ 350,00). A empresa fechou e ele ficou desempregado. Segundo Bieluz, a única solução foi voltar com a família e virar sem-terra.
As chances de emprego dos brasiguaios no Paraguai diminuem a cada dia. Com uma lei ambiental mais rigorosa e a extinção das matas nativas, a maioria das madeireiras do Departamento de Alto Paraná fechou. A mecanização crescente das lavouras também extingiu postos de trabalho nas fazendas. (Valmir Denardin)

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