Uma moeda de R$ 0,25 no bolso e um pouco de fome. A situação pode ser remediada com a compra de apenas um pão francês que, se não for suficiente para alimentar, serve para enganar o estômago. Com uma disponibilidade de recurso um pouco maior, as escolas públicas tentam fornecer merenda de qualidade e suficiente para os estudantes. De acordo com o próprio poder público, as refeições deveriam suprir cerca de 15% das necessidades nutricionais diárias dos alunos.
Em Londrina, 71.293 crianças da pré-escola ao Ensino Fundamental têm merenda diariamente nas escolas municipais. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) prevê que o cálculo do repasse federal é feito de acordo com o número de alunos contabilizado no Censo Escolar do ano anterior. O repasse federal é de R$ 0,15 por aluno, mesmo valor da contrapartida municipal, somando R$ 0,30. O ensino público conta com outros dois programas, para atendimento de índigenas e creches. Estes contam com verba federal e municipal um pouco maior: R$ 0,34 e R$ 0,18, respectivamente.
A gerente de merenda escolar da Secretaria Municipal de Educação, Cristina Yoshida, afirma que Londrina ainda tem posição privilegiada em relação a outros municípios. ''Muitas cidades não têm como complementar o repasse federal e servem apenas polenta, bolacha e um suco'', revelou. Segundo ela, a situação nas escolas londrinenses é menos crítica. Diariamente, os alunos recebem uma refeição no meio da tarde ou da manhã. O cardápio inclui arroz, feijão, carne moída ou coxa de frango e legumes. Um dia por semana, recebem fruta ou um prato doce.
A nutricionista responsável pela merenda escolar na cidade, Gracyanne Parisotto Tirola, explica que as refeições estão sendo suficientes para suprir os 15% da necessidade porque os estudantes ficam na escola por quatro horas. Os problemas ocorrem, no entanto, nas instituições de ensino da periferia. ''Já houve casos de crianças desmaiarem por estarem fracas. A merenda às vezes é a primeira, ou a única, refeição delas no dia'', destaca. A situação levou a secretaria a reforçar a alimentação às segundas e sextas-feiras, para garantir as necessidades nutricionais durante o fim de semana.
''Há pouco mais de cinco anos, quando a merenda passou a ser administrada pelo município, tinha criança que não comia carne porque não sabia o que era'', espanta-se a nutricionista. Para ela, os recursos para a compra da alimentação escolar deveria pelo menos dobrar.
A assessoria de imprensa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), ressaltou que a principal exigência para o repasse de verbas é que o município constitua o Conselho de Alimentação Escolar (CAE). O órgão, formado por pais, professores e representantes do poder público e da sociedade civil, é responsável pela fiscalização da entrega e qualidade da merenda.

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