Repasse da UEPG cobre os salários
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sábado, 15 de maio de 1999
Kelly Cristina Prudencio Especial para a Folha 
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) começou o ano com o mesmo repasse de verbas do ano anterior, ou seja, R$ 35.943.000,00 que cobrem apenas a folha de pagamento dos 650 professores e 997 funcionários técnico-administrativos. Segundo o reitor Roberto Frederico Mehry, o valor representa uma defasagem de 0,3% ao mês, o que exige uma readequação dos gastos da instituição.
O corte atingiu principalmente a contratação de pessoal. Já em dezembro do ano passado, todos os 108 professores colaboradores (ou substitutos) foram desligados da UEPG, como antecipação do problema financeiro. Essa foi a forma que encontramos para enxugar o quadro, a partir do princípio de que nem toda aposentadoria ou demissão justifica a contratação de substituto, explicou o reitor.
Mehry afirmou que a prioridade foi dada ao ensino de graduação, mesmo com a carência de professores. Hoje, apenas dez colaboradores integram o quadro da instituição. Os professores efetivos tiveram que aumentar sua carga horária em sala de aula. Não proibimos a contratação, apenas estamos passando por um processo de controle de gastos rigoroso, justificou o reitor.
Outra forma de economia atinge os funcionários, que deixaram de fazer hora extra. Mehry antecipou que no mês que vem começam os estudos para reduzir as funções gratificadas e os benefícios dos cargos de comissão.
Alguns benefícios, no entanto, são legais e maiores que o previsto pelo decreto de autonomia das universidades, que gerou toda essa movimentação para o corte de gastos e exigiu outras formas de arrecadação além da verba do Estado. É o caso dos anuênios de professores e funcionários, e elevação de salário por qualificação, responsáveis pelo crescimento da folha em 0,3% ao mês.
No ano passado, a UEPG gastou, segundo Mehry, R$ 7,5 milhões, sendo que somente R$ 990 mil foram repassados pelo governo. A universidade gerou sozinha cerca de R$ 6,5 milhões. A fonte desse dinheiro são os cursos de pós-graduação (todos pagos), a taxa dos vestibulares, projetos de extensão à comunidade, prestação de serviços para empresas e órgãos públicos, convênios com instituições públicas e privadas, treinamento de pessoal das secretarias de Estado e fomento de pesquisa (ou venda de projetos). A intenção da reitoria é intensificar essas fontes para suprir a redução dos investimentos do Estado e da manutenção recessiva dos gastos.
Adequar-se à nova realidade da autonomia não significa, para Mehry, uma preparação de terreno para a privatização das universidades públicas. O reitor aposta na capacidade da UEPG de gerar seus próprios recursos. Está afastada qualquer possibilidade de cobrança de mensalidades, o que é uma solução simplista para o problema, mas se isso ocorrer vamos nos posicionar contra, disse.
A UEPG tem hoje 7.896 alunos na graduação e cerca de 1.500 na pós-graduação, distribuídos nos cursos de especialização e mestrado.


