É com um grande sorriso no rosto que a estudante Milena Martins Andrade, 25 anos, comenta sobre o ato de amor que praticará daqui a algumas semanas. A mestranda em Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que nunca precisou passar por uma cirurgia na vida, vai se submeter ao procedimento, voluntariamente, para ajudar uma pessoa que está precisando receber um transplante de medula óssea. O que chama ainda mais atenção no ato da jovem é que ela nem faz idéia de quem seja o receptor.
Há sete anos morando em Londrina, Milena se cadastrou no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) em 2004, quando um amigo, que já havia perdido uma irmã que sofria de leucemia, a convidou para ser doadora. Apesar de saber da importância da ação, naquele momento Milena não acreditava que um dia sua medula pudesse vir a ser compatível com a de alguém, uma vez que essa probabilidade é de um em 1 milhão. ''Não importa para quem eu esteja doando, o importante é saber que estou ajudando uma pessoa que está precisando muito'', diz.
A notícia de que ela poderia ser uma doadora veio do Rio de Janeiro, onde funciona a central do REDOME. Ao contactar Milena, um dos primeiros questionamentos à estudante foi se ela não se importava em doar a medula para um desconhecido. ''Queriam deixar bem claro que a gente não pode conhecer a pessoa, só se a família do paciente fizer questão de me conhecer. Eu nem sei onde a pessoa mora nem que tipo de doença ela tem'', comenta.
A família de Milena, que reside em Bauru (SP), ficou emocionada com a atitude da jovem. Milena já passou por uma bateria de exames e aguarda a cirurgia. A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia geral e requer internação por um mínimo de 24 horas. Os médicos vão tirar um líquido do osso da bacia de Milena, que será depois implantado no receptor.
Questionada se os dias que terá que ficar afastada de suas atividades não atrapalharão sua rotina, Milena é objetiva: ''Para mim não tem problema nenhum, dou um jeito. Pela causa, vale a pena''.
Enquanto Milena se prepara para doar, a família do londrinense Caio Delfiol, 14 anos, sonha com a possibilidade de encontrar um doador compatível para o menino, que está com leucemia. A mãe de Caio, a bibliotecária Hosana Alves de Oliveira, conta que a doença foi identificada quando o adolescente começou a manifestar alguns sintomas de anemia.
''Ele sentia muita fraqueza, passou a ter vômitos esporádicos. Foi então que num exame mais detalhado os médicos identificaram a doença. A cura para o caso dele só pode vir por meio do transplante de medula. Sonhamos com a possibilidade de encontrar alguém compatível. Estamos passando por um momento muito difícil'', comenta.
A leucemia é caracterizada pela produção excessiva de células brancas anormais, superpovoando a medula óssea. A infiltração da medula resulta na diminuição da produção e funcionamento de células sanguíneas normais. Caio já passou por um ciclo de quimioterapia e reagiu bem ao tratamento. Segundo a mãe, novos exames deverão mostrar se o menino terá que continuar com o tratamento de imediato ou se poderá permanecer por um tempo sem os medicamentos.
''O Caio é um menino feliz, ele até brinca com a situação dele. Queremos chamar a população para participar da campanha porque muitos meninos como o Caio precisam de doadores. Outra coisa que gostaríamos de registrar é que deveria ter em Londrina um local para ser feito o transplante. Quando ele conseguir um doador, teremos que ir pra Curitiba e isso dificulta muito para nós, principalmente na questão financeira'', comenta a mãe.
A campanha para cadastrar voluntários no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) será realizada na Paróquia Cristo Rei, onde Caio faz catequese. A ação está sendo organizada por membros da comunidade daquela paróquia, que se sensibilizaram com o problema do menino.
Serviço - O Hemocentro do Hospital Universitário (HU) de Londrina estará cadastrando voluntários no REDOME. A campanha feita pelos amigos de Caio ocorrerá no dia 27 de maio (domingo), na Paróquia Cristo Rei, localizada na Avenida Paris, sem número, Jardim Piza (Zona Sul), a partir das 9h.

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