Reparos lotam Campina da Lagoa
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segunda-feira, 13 de abril de 1998
Sid Sauer 
A queda das sete torres de energia elétrica, semana passada, em Campina da Lagoa (100 km a sudoeste de Campo Mourão) está agitando os hotéis e restaurantes da cidade e até mesmo de municípios vizinhos. Os dois únicos hotéis de Campina da Lagoa estão sem vagas até o próximo final de semana. Também há operários hospedados em Roncador, Iretama, Ubiratã, Nova Aurora e Campo Mourão. No total, cerca de 400 homens trabalham nas torres.
Tive que contratar mais oito pessoas para dar conta de todos os serviços, conta William Krick, dono de um dos hotéis de Campina da Lagoa. Ele está com todos os 40 quartos ocupados e teve até que ceder as instalações de uma casa para abrigar os operários. Além disso, Krick ativou a cozinha, que só funcionava para o jantar, para preparar 180 marmitex aos funcionários de Furnas que trabalham no município. É um caso de emergência.
Apesar da superlotação do hotel e das 180 refeições extra que vem servindo, Krick diz que o lucro é baixo. Dá para ganhar uns R$ 0,50 por marmitex, diz. À noite, a comida é servida apenas aos hóspedes do estabelecimento. No outro hotel da cidade, a proprietária Maria Júlia da Silva Silveira também teve que abrigar parte dos hóspedes numa casa que tem em Campina da Lagoa. No hotel, os 38 quartos estão ocupados.
Os quartos estão com duas camas e colchões pelo chão, conta a empresária. Todos os hóspedes são funcionário da empreiteira Nativa, que também trabalha na recuperação das torres derrubadas pelo vento. Eles jantam no hotel, mas almoçam numa cantina montada pela própria empresa no canteiro de obras. Se caíssem umas quatro torres por mês eu ficava bem, brinca Maria Júlia. Dá trabalho, mas a gente ganha um dinheirinho extra.
Cheque ouro Em Roncador (a 65 km de Campina da Lagoa), um hotel chegou a abrigar 26 operários. Ontem, 20 continuavam hospedados. Eles chegam às 20 horas e às 5 horas já estão saindo, diz o proprietário José Manchur. O trabalho é longe e não se pode perder tempo. Manchur só serve café da manhã, que começa a ser preparado às 3 horas. A jantar é servido num restaurante da cidade.
Apesar do lucro, o dono do hotel se preocupa com a lotação. Nosso cheque ouro são os viajantes e é preciso reservar vagas para eles, explica. Os operários das torres são passageiros. Manchur diz que já atendeu hóspede que estava nervoso porque não encontrou vaga em Campina da Lagoa. Em Ubiratã (a 32 km de Campina da Lagoa), os hotéis da cidade também abrigam operários.
Graças aos operários, não tivemos um feriadão morto, frisa o gerente do hotel, João Francisco da Silva. Em situação normal, o hotel teria passado todo o final de semana vazio, completa.


