A Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) de Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, já recolheu 5 mil toneladas de lixo contaminado por óleo dos rios Barigui e Iguaçu depois do vazamento de 4 milhões de litros de óleo cru, ocorrido em junho passado. ‘‘Temos latas, plásticos e madeira que precisam de uma destinação apropriada’’, informou o gerente de segurança e meio ambiente da Repar, Paulo Haro. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) não autorizou a incineração do material e agora a Repar vai ter de desenvolver um projeto específico para a destinação final de cada tipo de material, evitando danos maiores ao meio ambiente.
No último sábado, a superintendência da refinaria fez um balanço das medidas adotadas pela empresa para recuperação da área afetada pelo vazamento. Segundo o superintendente da Repar, Rubens Novicki, 98% do óleo que atingiu os rios Barigui e Iguaçu já foi retirado. ‘‘O impacto no meio ambiente foi menor que a expectativa inicial’’, afirmou ele, durante reunião pública com entidades ambientalistas.
Funcionários da Repar ainda retiram óleo do local onde o duto de bombeamento se rompeu, causando o vazamento, chamado de ponto zero. Compreendido em 40 mil metros quadrados, essa área está sendo recuperada por um sistema de biorremediação. ‘‘Poderíamos retirar a terra e separar o óleo, mas os técnicos acreditam que é possível fazer a recuperação sem medidas tão incisivas’’, explicou o superintendente.
A ambientalista Laura Jesus de Moura Costa, que participou da reunião, discorda do superintendente da Repar. ‘‘Se não houve impacto ou se o impacto foi menor que o esperado é porque essa área já estava degradada’’, disse. ‘‘Falar sobre as medidas paliativas é bom, porém, o mais importante é adotar medidas que evitem os danos crônicos causados pela atividade de risco da refinaria ao meio ambiente e infelizmente parece que isso não está acontecendo.’’
Novicki garante que não há riscos do óleo concentrado no ponto zero atingir o lençol freático ou o Rio Barigui. As análises mostram que o material está concentrado em uma camada entre 30 cm e 60 cm do subsolo. ‘‘Nossa sorte foi que abaixo disso há uma camada de argila muito compacta, impedindo a infiltração do óleo.’’ Falta fazer o trabalho de limpeza fina de restos de óleo em cerca de 10 quilômetros do Rio Iguaçu, no município de Balsa Nova. O vazamento, ocorrido no dia 18 de junho, atingiu 40 km de rio. Dos 4 milhões de litros de óleo, cerca de 1,3 chegou ao Iguaçu. O restante ficou na área interna da refinaria.
A retirada de óleo e recuperação ambiental já custou R$ 75 milhões para a empresa. A reunião de sábado foi solicitada pela comissão mista de acompanhamento do trabalho de recuperação do Rio Iguaçu. A superintendência da Repar aproveitou para receber projetos de organizações ambientais para recuperação do alto Iguaçu. Foram entregues 38 propostas.