A direção da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, anunciou ontem que vai investigar a suposta contaminação por benzeno de trabalhadores contratados para a retirada do óleo que vazou da unidade em julho. Ontem, a Folha revelou que oito pessoas que atuaram no local já procuraram o Sindicato dos Petroleiros para relatar problemas como dores de cabeça, vômito e fadiga. Um nono trabalhador está internado no Hospital Evangélico com paralisia nas pernas, provocada por mielite transversa, uma inflamação na coluna.
João Carlos Lozovey, médico do trabalho da estatal, disse acreditar que os sintomas e a doença relatados não tenham como causa a intoxicação por benzeno, um componente do petróleo altamente tóxico e cancerígeno. ‘‘Mesmo assim, essas pessoas precisam ser submetidas a uma investigação adequada’’, afirmou. Ele disse que é ‘‘extremamente improvável’’ que a mielite transversa possa ser provocada pela exposição ao benzeno.
Segundo Paulo Haro, assessor de Segurança e Meio Ambiente, as 2,9 mil pessoas selecionadas para a limpeza por 32 empresas contratadas trabalharam em locais onde a exposição aos componentes do petróleo teria ficado abaixo do tolerável por regras internacionais. Afirmou também que todos usaram os equipamentos exigidos: macacão, botas e luvas. Disse ainda que só foram usadas máscaras em locais onde esse equipamento era necessário.
A Petrobras – estatal que mantém a Repar – tentou se eximir da responsabilidade em relação à denúncia de que as empresas contratadas não registraram os trabalhadores em carteira (como determina a lei) e recrutaram menores de idade para uma atividade de risco. Segundo o assessor jurídico, Arno Apolinário Júnior, nos contratos a estatal exige que essas empresas cumpram a legislação. Para ele, a Repar só tem responsabilidades legais com seus funcionários.
Maurício Niewiorowski, sócio da Econ, empresa que atuou no trabalho, disse que José Marcondes da Luz, que está com paralisia, trabalhou na limpeza por apenas cinco dias. O advogado de Luz sustenta que esse trabalho foi superior a 15 dias. Niewiorowski afirmou também que não registrou o empregado porque ele não voltou ao trabalho após receber o pagamento. A Arauserv, que contratou os outros oito trabalhadores, não se pronunciou ontem.