A Repar demitiu 4 envolvidos; fraude será investigada pelo Ministério Público

A Superintendência da Refinaria Getúlio Vargas (Repar) encaminhou ao Ministério Público Federal o relatório sobre o desvio de combustível na unidade da Petrobrás em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. Segundo informação da assessoria de comunicação da estatal, o relatório confirma o desvio de 2,7 milhões de litros de combustível na unidade. Fontes do mercado indicam que esse número pode chegar a 15 milhões de litros, com prejuízos totais de R$ 7 milhões.
As operações de fraude na Gerência Comercial (Gecom) da Repar vinham sendo realizadas desde 94 e foram identificadas durante uma auditoria interna realizada pela própria Petrobrás. Quatro funcionários foram responsabilizados pelos prejuízos e demitidos por justa causa. Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Petróleo do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro), dois funcionários envolvidos no processo teriam confessado a participação na fraude. Esses funcionários afirmam ter beneficiado diretamente a Ocidental Distribuidora de Petróleo Ltda., com sede em Curitiba e base em Araucária.
Segundo informações repassadas ao Sindipetro, o desvio de combustíveis na refinaria envolvia alteração de dados de notas da empresa distribuidora. A superintendência da Repar demitiu os dois funcionários que confessaram a participação na fraude e outros dois que ocupavam cargo de chefia, por omissão.
A direção da Ocidental também alega ser vítima da fraude. Segundo Rodrigo Gonçalves, diretor da empresa, o prejuízo total foi de R$ 600 mil em dois anos. A versão da empresa é de que o desvio de combustível não foi percebido porque ‘‘estava dentro do índice técnico de evaporação’’. Ou seja, a empresa contabilizou a perda de cerca de R$ 300 mil por ano em função da evaporação no processo de armazenagem.
Depois da divulgação da fraude, os procedimentos na Repar passaram a ter controle rigoroso. Segundo informações de fontes ligadas ao ‘‘pool’’ de distribuidoras, que reúne a Shell, Esso, Texaco/Ipiranga e BR Distribuidora, foi realizada uma reunião de emergência no Rio de Janeiro.
Com o encaminhamento do relatório da fraude para o Ministério Público, os próximos procedimentos deverão incluir a fase de ação penal e civil para responsabilizar os envolvidos.
A diretoria do Sindipetro também pretende iniciar representação no Ministério Público Federal para que seja aberto inquérito pela Polícia Federal. Segundo o presidente do sindicato, Ênio dos Reis, a superintendência da Repar ainda não permitiu o acesso ao relatório final da sindicância interna na unidade. O dirigente sindical explicou que essas informações precisam ser divulgadas para esclarecer melhor o episódio. O sindicato já acionou sua assessoria jurídica para defender os funcionários demitidos.
A Ocidental, que aparece como a empresa responsável pela recepção do combustível desviado, também está realizando uma auditoria interna para ‘‘identificar os responsáveis pela fraude’’, informa o diretor.

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