Para o senso comum, crer é algo racional. Porém, com os olhos da fé, os cristãos atravessam essa fronteira, acreditando no que ainda não podem ver. Uma certeza alimentada por histórias como a da professora Luciana Santos Marcos, 26 anos. Há três anos, a filha dela -Vanessa, 4 anos - sobreviveu a quatro paradas cardíacas. Luciana atribui a Deus, o que acredita ser um milagre.
Ontem, Luciana e Vanessa, além do marido, a outra filha do casal, a mãe da professora e uma amiga, trocaram o descanso do domingo por um dia inteiro de louvor e adoração a Deus durante o Deus Conosco - evento realizado todos os anos pela Renovação Carismática Católica (RCC) em preparação ao Natal. A família era mais uma entre tantas presentes ao evento, que reuniu cerca de 8 mil pessoas no Ginásio Moringão.
Moradora no Jardim Catuaí (Zona Norte), a professora saiu cedo de casa, levando colchão para as filhas tirarem um cochilo, lanche para o almoço e muita animação.
''Estou aqui para agradecer o milagre grande que Deus fez na minha vida. A minha filha tinha um problema respiratório grave e, depois de quatro paradas cardíacas, sendo que uma durou cerca de 42 minutos, o Senhor a trouxe de volta para mim'', afirmou Luciana, crendo que Deus curará a menina de algumas sequelas da parada.
A pé, de carro ou em caravanas de ônibus, inclusive de outras cidades, as pessoas iam chegando e estendendo almofadas, jornais e toalhas sobre as arquibancadas para melhor se acomodarem e assistir as pregações do padre Antonello Cadedu. O religioso é fundador da Comunidade Aliança de Misericórdia, de São Paulo, sendo ainda diretor espiritual da RCC no Brasil, movimento que reúne cerca de 8 milhões de pessoas no país.
Embora o padre Marcelo seja o mais conhecido representante da RCC ao lado de outros sacerdotes como Jonas Abib, fundador de uma rede de televisão católica, o padre Antonello Cadedu consegue transmitir aos fiéis a palavra de Deus, acompanhada de orações, de uma maneira em que as pessoas se rendem totalmente.
Ao pescar fiéis em águas mais profundas, a Igreja Católica, através da RCC, tem conquistado um novo rebanho. Adeptos como Alice Noriko Hocama, 48 anos, moradora do Jardim Castelo (Zona Leste). A secretária executiva cresceu em uma família budista. ''Achei que era impossível a conversão da minha família. Esse mês, minhas duas irmãs foram batizadas e fizeram a primeira comunhão e a crisma. Para nós de origem oriental é mais difícil participarmos de uma igreja. Os brasileiros, por exemplo, têm a sua religião. Os nossos são de outra religião. Nesse conflito, acabamos não participando de nada'', ressaltou Alice, que foi batizada em abril e que traçou como meta a conversão de outros dois irmãos.
O designer gráfico, Márcio Chocorosqui, 33 anos, morador do Jardim Higienópolis (área central), participa há 15 anos da RCC, apontando que houve um amadurecimento do movimento religioso nesses anos.
''Procuro viver com qualidade de vida do corpo, cabeça e espírito. Aqui estou cuidando da minha parte espiritual. Deus me ajudou, por exemplo, a ter um melhor relacionamento com o meu pai em apenas um ano de RCC. Tudo ao redor da gente muda. Na adolescência você tem aquele choque de gerações, mas me encontrei. Passei a ver um outro ponto de vista'', ressaltou o rapaz, que como outros participantes do evento não hesitavam em testemunhar as razões que explicam a sua fé.

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