Curitiba - Rosa Moura identifica no fenômeno da concetração da renda em poucos municípios o grande problema da Região Metropolitana de Curitiba. Como solução, propõe a criação de fundos e políticas metropolitanas para uma redistribuição de renda mais justa. Hoje, diz Rosa, a geração de riquezas fica mais restrita aos municípios de Curitiba, Araucária e São José do Pinhais. ''É preciso pensar em novos modelos de gestão para a região metropolitana. Defendo modelos que deram certo em outros países. Por exemplo, fazer uma boa gestão articulada sem tirar poderes dos prefeitos. Hoje, cada um fica defendendo apenas seu lado'', critica.
Olga Firkowski, professora e coordenadora do programa de mestrado e doutorado em Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), concorda com Rosa Moura. Olga diz que problemas isolados da RMC, como o lixo, a violência ou o transporte urbano, são decorrentes de um problema maior, conceitual: a ausência de instâncias administrativas que tenham o poder de ultrapassar os limites de cada município. ''Os problemas são comuns a todos municípios e não podem ficar abandonados por causa de disputas políticas. Enquanto isso, a população fica refém'', diz a professora. Para ela, embora os problemas ultrapassem os limites dos municípios, o tratamento para população não pode ser diferenciando de uma cidade para outra.
Olga aponta, como possível solução, a busca de recuperação da idéia de regiões urbanas. Dessa forma, uma administração conjunta seria mais fácil de ser criada. Ela cita, porém, a amarra da Constituição, que organiza a urbanização em estados e municípios independentes. ''Utopicamente, penso em administrações mais interligadas. Além disso, peço um maior conhecimento dos prefeitos da região metropolitana, um olhar em uma estrutura mais ampla'', comenta.
Politicamente, Rosa Moura vê a região como as uma das mais fortes dentro do Paraná. ''A concentração de poder político é muito forte, em comparação ao resto do Estado. Isso acontece mesmo com cada um dos municípios tendo sua representividade política, pois têm prefeitos e vereadores eleitos'', analisa. (T.A.)

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