Cerca de 14 mil famílias pobres de Londrina recebem do poder público algum tipo de transferência de renda. O número é da Secretaria Municipal de Assistência Social, responsável pela operação dos programas sociais. São pelo menos 12 programas municipais e federais, que movimentam aproximadamente R$ 2 milhões por mês. As iniciativas são, de acordo com a secretária Maria Luiza Rizotti, suficientes para incluir todas as famílias carentes da cidade em pelo menos um tipo de programa de proteção social.
Por outro lado, o professor João Batista Filho, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), avalia que os programas públicos de transferência de renda são uma ''esmola'' para os cidadãos de baixa renda (leia nesta página).
Os seis programas municipais são incluídos no projeto Renda Mínima Municipal. São as bolsas Escola, Idoso, Pessoa com Deficiência, Família Acolhedora, População de Rua e Auxílio. Cada um é destinado a um tipo diferente de carência social. Uma exigência, porém, é comum a todos: renda per capita máxima de meio salário mínimo.
O objetivo da Secretaria é que os programas sejam uma ''travessia'' entre a transferência de renda pura e simples e a autonomia familiar. Para isso, está promovendo uma revisão do cadastro único do Governo Federal. A meta é evitar duplicidade de pagamento para uma mesma família ou beneficiário. Sete mil famílias já foram visitadas. O trabalho está previsto para terminar no final do próximo ano.
Desde a implantação dos programas municipais de transferência de renda em 2001, a filosofia da Secretaria é cobrar contrapartida dos beneficiários. As principais são manter os filhos matriculados e frequentando a escola, ter cadastro no Sistema Nacional de Empregos (Sine) e alcoolistas em tratamento, entre outras. Os beneficiários assinam um termo de compromisso para receber o dinheiro.
A inclusão é acompanhada de participação em programas de inclusão produtiva e apoio sócio-familiar. A verificação é feita em reuniões mensais com os participantes. A secretária Maria Luiza salientou que ''a assistência social é um direito garantido por lei. A renda é um direito do cidadão, como também é um direito ter autonomia para o provimento da própria renda'', explica. ''Também é importante destacar que o dinheiro dos programas não é gasto, mas investimento nos pobres'', acrescenta.
Os federais são as bolsas Família, Escola, Auxílio Gás, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), Agente Jovem e Benefício de Prestação Continuada (BPC). Cada família pode receber dinheiro de mais de um programa social.
Segundo Maria Luiza, em Londrina há muitos pobres, apesar dos programas, porque os benefícios não contemplam a superação da situação de pobreza, mas apenas garantem as necessidades básicas da pessoa. ''Não é o suficiente para sair da habitação sub-normal e da falta de emprego'', acredita.''É interessante porque o dinheiro vai direto para as mãos do beneficiário, por isso cumpre o objetivo final'', conclui.

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