Com bens e contas bancárias bloqueados desde setembro, a Renascer em Cristo acumula dificuldades financeiras para manter o pequeno império que construiu em 25 anos de existência. Nos últimos 15 dias, a denominação evangélica demitiu 94 funcionários de quatro empresas ligadas ao grupo: a Fundação Renascer, Fundação Trindade, Igreja Renascer-Sede e Igreja Renascer-Regional. Bispos e pastores receberam a orientação de aumentar a meta de arrecadação de dízimos, solicitando doações adicionais de R$ 1 mil.
A maior parte das demissões atingiu funcionários que cumpriam expediente na produção de programas gravados diariamente na Rede Gospel de Televisão. A reportagem teve acesso à lista dos demitidos - motoristas, recepcionistas, operadores, produtores, radialistas, repórteres e locutores. O departamento de recursos humanos da empresa não informa quando serão pagas as verbas rescisórias - mas alguns de seus funcionários avisam que deve demorar, porque a ''Igreja está em processo de falência''.
A crise financeira da Renascer não apenas é assunto tratado abertamente em seus templos como aos poucos vai se transformando em mais um mote de campanha de arrecadação. Registrada como entidade filantrópica - o que lhe garante isenção de impostos - a Igreja tem estrutura empresarial que obriga seus líderes a cumprir metas de arrecadação entre os fiéis, calculadas a partir da média de cada região. Nas últimas duas semanas, os chamados ''bispos primazes'', responsáveis por áreas de atuação da Igreja, foram orientados a aumentar esse patamar.
Nos templos de São Paulo, as metas aumentaram em 30% em média. Por isso, ''bispos'' e ''pastores'' exibem gravações do culto ''Ceia dos Oficiais'', em que Estevam e Sonia Hernandes falaram via internet, da Flórida (EUA), para 10 mil fiéis no auditório do Ibirapuera e pediram contribuição extra de R$ 1 mil.
Nos programas de TV, os líderes também ressaltam ''a importância de ajudar a salvar a obra do povo de Deus''. Filho mais velho dos Hernandes, Felippe Daniel, conhecido como Bispo Tid, tem repetido a frase ''ajude a salvar o que é seu''.
Seguem bloqueados pela Justiça bens registrados em nome dos Hernandes - como uma fazenda de R$ 3 milhões, quatro apartamentos de R$ 6 milhões e um haras que vale R$ 3 milhões. Também estão bloqueadas oito contas de dez empresas abertas pelos fundadores da Igreja e suspeitas de atuar na lavagem de dinheiro.

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