Mário CésarFalta graveRenais crônicos fazem hemodiálise no Instituto do Rim: Regional de Saúde está sem remédiosDiretores da Associação dos Renais Crônicos de Londrina (Arenalon) visitaram, na tarde de ontem, o promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo César Tavares, para registrar denúncia contra a constante falta de remédios na farmácia da 17ª Regional de Saúde (RS), órgão da Secretaria de Saúde do Paraná. Segundo a denúncia, o problema já ocorre há vários meses e pode agravar o estado de saúde dos renais e levar à perda dos rins em transplantados.
A Arenalon levou o caso à Promotoria e solicitou providências para que a situação seja resolvida e os doentes tenham garantido o direito aos medicamentos que são de distribuição obrigatória pelo Estado. Entre eles, está o Meticorten, do qual os transplantados tomam dois ou três comprimidos - cada um custa cerca de R$ 0,70 nas farmácias - diariamente. De acordo com o presidente da associação, Jurandir Garcia, este remédio está em falta na 17ª RS há cerca de seis meses.
Antes de ir à Promotoria, os renais se reuniram no Instituto do Rim, onde fazem o tratamento de saúde e nasceu a idéia da Arenalon, criada em julho. Um dos sócios do Instituto do Rim - que atende cerca de 100 pacientes -, o médico Altair Mocelin explica que entre os vários remédios em falta está um importante antilinfócito (OKT3 ou ATG), utilizado no combate à rejeição dos glóbulos brancos ao novo rim logo após o transplante.
‘‘Quando a rejeição é severa, o tratamento do paciente exige a aplicação de 10 a 14 ampolas. Cada uma custa R$ 920,00 no mercado. Até o início do ano, a 17ª intermediava a distribuição deste remédio. De uns meses para cá, o governo do Estado passou a pagar diretamente no hospital do paciente internado. O problema é que só querem pagar R$ 5.600,00 para 10 ampolas. E o restante, no mínimo R$ 3.600,00, fica de prejuízo para os hospitais. Assim, não é possível prestarmos o atendimento’’, diz Mocelin.
De acordo com dados da Arenalon, em Londrina há cerca de 300 renais crônicos - que necessitam de três sessões de hemodiálise semanais - e outros 700 que já conseguiram o transplante de rins. Cada sessão de purificação do sangue dura em torno de quatro horas e 90% dos transplantes alcançam sucesso. No Brasil, há 100 renais em cada grupo de um milhão de habitantes.
Outro remédio essencial que estaria em falta na 17ª RS, segundo a Arenalon, é o com base na eretropoietina (Eprex ou Hemax), usado para estimular a produção de glóbulos vermelhos nos renais. Sem a aplicação dele, o paciente é obrigado a se submeter mensalmente à transfusão de sangue, o que pode acarretar novos problemas com contaminações por doenças transmissíveis. O renal necessita de duas ou três injeções deste medicamento por semana. Cada uma custa perto de R$ 40,00.
Sem a oferta dos remédios pelo governo do Estado, os renais estão bastante preocupados e ameaçam, inclusive, com a entrada de ação na Justiça. ‘‘Infelizmente, os doentes não têm dinheiro para comprar os medicamentos necessários para a manutenção da saúde. Mais de 90% dos renais são de famílias humildes, são aposentados que vivem com salários de R$ 120,00 por mês’’, afirma Jurandir Garcia.
‘‘A falta de remédios não é novidade na 17ª RS, é uma constante a muitos meses. Por isto, estamos recorrendo à Promotoria. A cobrança deve ser feita não aos hospitais - que já passam por dificuldades financeiras por atender pelo SUS -, mas às secretarias municipais e estaduais de saúde. Queremos ter respeitados os nossos direitos constitucionais.’’
O promotor Paulo Tavares fez, ontem mesmo, contatos telefônicos com a Ouvidoria Pública da Secretaria de Saúde do Paraná e com a direção da Autarquia Municipal de Saúde, solicitando maiores esclarecimentos sobre a real falta de medicamentos e pedindo a tomada de providências para que o problema seja resolvido o mais rápido possível.
O promotor afirma: ‘‘Estamos muito preocupados com a situação apresentada pela Associação dos Renais. Há pacientes internados, que passaram recentemente por transplantes, que estão tendo rejeição e não podem comprar os remédios que faltam. Vamos intervir e negociar uma solução.’’

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