Até sexta-feira a 17ª Regional de Saúde de Londrina volta a fornecer Eritropoetina (Eprex ou Hemax, nome dos fabricantes), medicamento essencial à sobrevivência dos renais crônicos. O medicamento está em falta há 15 dias e a interrupção está colocando em risco a vida dos cerca de 500 renais crônicos da região - 261 só em Londrina. Sem a Eritropoetina, os doentes precisam recorrer à transfusão de sangue para manter os níveis de hemoglobina no sangue e não serem vítimas de uma anemia profunda.
A chefe da 17ª Regional, Djamedes Garido, explicou que a falta do medicamento foi consequência de problemas na licitação para compra. Uma das empresas concorrentes recorreu do resultado, travando o andamento da licitação. Mas a Associação de Renais Crônicos de Londrina e Região, não aceita a argumentação e denuncia que a interrupção do fornecimento dos remédios é frequente.
O presidente da Associação de Renais Crônicos de Londrina e Região, Jurandir Garcia, diz que os renais crônicos têm enfrentado também a falta de Roucatrol - medicamento que repõe sais minerais no sangue - e de Ciclosporina, que controla a rejeição do órgão nos transplantados. ‘‘A incompetência do governo em organizar o processo de licitação e garantir um estoque capaz de evitar a falta do medicamento está prejudicando os doentes e sua qualidade de vida’’, denunciou.
A Associação entrou com um pedido de providências junto ao Promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares. Em entrevista a Folha, o promotor informou que está tentando regularizar a distribuição e procurando meios para evitar que a situação continue se repetindo pelos canais administrativos. ‘‘Se isto não surtir efeito vamos buscar outras alternativas. A situação é limite e exige uma atitude mais severa se não houver sensibilidade por parte dos responsáveis’’, disse.
O nefrologista Altair Jacob Mocelin, considera a desorganização do governo estadual um retrocesso. ‘‘Estamos sendo obrigados a voltar aos tempos em que a transfusão era a única alternativa para manter o paciente vivo até o transplante’’, afirma. Ele explica que, com a transfusão , o paciente é obrigado a assumir o risco de ser contaminado por outras doenças, como AIDS e Hepatite.
Neste ano, esta é a terceira vez que os renais crônicos enfrentam a falta de um dos três medicamentos distribuídos pela secretaria estadual de Saúde. Mas a chefe da 17ª Regional nega que neste momento estejam faltando outros medicamentos além do Eprex. A 17ª RS distribui medicamentos para cerca de 500 renais crônicos de Londrina e região.

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