Os pacientes de doenças renais crônicas aguardam definições sobre os novos valores de operações de hemodiálise com mais ansiedade do que os nefrologistas. Em Londrina, a Associação dos Doentes Renais Crônicos de Londrina (Arenalon) cadastra e encaminha os pacientes carentes que necessitam de hemodiálise. Segundo a vice-presidente, Zilda Telles, seriam atendidos cerca de 60 doentes. ''Apenas duas nefroclínicas realizam a operação em Londrina, mas o HU está reativando o seu setor da área. Existe uma realidade de pessoas com necessidade e a interrupção do atendimento seria uma calamidade. É preciso achar uma solução'', disse.
A Folha mostrou, na edição de ontem, que clínicas e hospitais que realizam diálise reclamam do valor pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pelas sessões, que estaria defasado e não contemplaria aumentos de tarifas de água e energia elétrica, crescimento dos salários de funcionários e a alta do dólar (a maioria dos equipamentos utilizados é importada). Os prejuízos em realizar hemodiálise seriam tão grandes, segundo os nefrologistas, que a prestação deste atendimento estaria comprometida.
Rosenilda de Oliveira Dorta, 37 anos, se mudou para Londrina há 25 anos exatamente por ter doença renal crônica - na cidade onde morava, Alta Floresta, no Mato Grosso, não havia local para realizar hemodiálise. ''Aqui em Londrina, fiz o tratamento no Hospital Universitário (HU), no Evangélico e desde 1998 estou indo a uma nefroclínica'', explica. Há 17 anos, Rosenilda se mudou para Casa de Apoio do HU, que hospeda enfermos de outras cidades que vem realizar tratamento na cidade.
Ela não trabalha porque, além do problema renal, sofre de hepatite B e tem poucas forças. Três vezes por semana, realiza a sessão de quatro horas de hemodiálise. Hoje, é a única moradora da Casa de Apoio - outros doentes renais crônicos acharam lugares mais próximos de suas cidades para continuarem as hemodiálises.
''Não tenho parentes aqui, às vezes alguém vem do Mato Grosso para me visitar. Não posso viajar para lá, porque são três dias de ônibus'', afirma Rosenilda. Ela se desespera ante a possibilidade dos poucos lugares que realizam hemodiálise em Londrina pararem o atendimento. ''Não vou saber pra onde ir, não teria a mínima idéia do que fazer, nem quero pensar nisso'', diz Rosenilda.

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