Renais crônicos crescem 10% a cada ano
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quinta-feira, 10 de março de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
O Brasil tem hoje 110 mil renais crônicos em tratamento de hemodiálise e a estimativa é de que esse número cresça 10% a cada ano. O grande problema das doenças renais, principalmente da disfunção renal, é que elas evoluem de forma silenciosa. De modo geral, quando os sintomas aparecem, o órgão já está comprometido, restando ao paciente a hemodiálise ou o transplante. Dos 110 mil pacientes em diálise, 30% são encaminhados para o transplante. Hoje, só no Paraná, 1.441 pessoas esperam na fila por um rim, segundo dados da Central Estadual de Transplantes. O Dia Mundial do Rim, celebrado ontem, tem o objetivo de chamar a atenção da população para a importância dos cuidados com esse órgão.
Foi a falta de cuidado que levou Silvana Fernandes, de 46 anos, a fazer um transplante de rim no ano passado. Aos 21 anos de idade ela descobriu cálculos renais, mas não tratou o problema por falta de informação e por morar em uma cidade pequena, com poucos recursos. Em 2002, assim que se mudou para Londrina, Silvana começou a ter febre e infecção urinária com frequência. Procurou um médico, que indicou a cirurgia para a retirada dos cálculos. Em 2003, grávida de três meses, ela fez a cirurgia em um dos rins. No ano seguinte, operou o outro rim. As cirurgias correram bem, mas não evitaram a hemodiálise. O órgão já estava comprometido e foi perdendo a função gradativamente. "Comecei a hemodiálise em 2010. Eram quatro horas na máquina, três vezes por semana, além dos cuidados com a alimentação porque tudo é muito restrito e controlado", contou ela.
Com indicação de transplante e a confirmação por exames de que uma das irmãs de Silvana estava apta a ser doadora, ela retirou os rins, passou por tratamento para eliminar os focos de infecção, e nove meses depois, em 29 de maio de 2015, o transplante foi feito. "Os dois primeiros dias depois do transplante foram difíceis porque ainda estava com muitos aparelhos. Mas eles foram retirando os aparelhos aos poucos, até que fiquei livre. Não foi uma mudança, foi uma transformação. Hoje, tenho uma vida normal."
Segundo o nefrologista Anuar Matni, da equipe do Hospital Evangélico de Londrina, no município cerca de 90 pessoas ao ano têm insuficiência renal crônica e são submetidas à diálise, tratamento que exige muita disciplina e controle do paciente. O índice de mortalidade dos brasileiros em hemodiálise atualmente é de aproximadamente 17%. "É um índice alto, mas se iguala aos países europeus."
O transplante, afirma Matni, é indicado para pessoas "relativamente jovens". Em uma pesquisa feita por ele, foram comparados pacientes transplantados com média de idade de 40 e de 60 anos. "Nos primeiros anos, os dois grupos iam bem, mas com o passar dos anos, o grupo de idosos apresentava mais complicações." O nefrologista integrou a equipe responsável pelo primeiro transplante de rim feito no Paraná, em junho de 1973, no Hospital Universitário. Além dos idosos, o transplante também é contraindicado a diabéticos e pessoas com doenças cardíacas.
PREVENÇÃO
Segundo Matni, o diabetes é uma das principais causas da disfunção renal e está relacionada a cerca de 30% a 35% dos casos. A hipertensão arterial também é responsável por um grande número de casos de insuficiência renal crônica, quando o funcionamento dos rins cai para 15% de sua capacidade. Já as nefrites (doenças renais), têm uma influência menor no comprometimento do órgão. "Vivemos hoje uma epidemia de diabetes porque a população está com sobrepeso. E a hipertensão acomete 30% da população", apontou o médico.
Os rins filtram 180 litros de sangue por dia, mas além da depuração sanguínea, eles também são responsáveis pelo amadurecimento das hemácias e fazem o controle da pressão arterial. Cansaço, fraqueza, emagrecimento, náusea, vômito e anemia podem ser sinais de que algo não vai bem com os rins, assim como a pressão arterial elevada. A prevenção é feita com consultas periódicas com um nefrologista associadas a exames de dosagem de creatinina e de ultrassonografia.
O controle no uso de medicamentos anti-inflamatórios e de alguns tipos de antibióticos também ajuda a preservar a saúde dos rins. "Com os exames periódicos, se houver disfunção, já trata e preserva os rins por muito mais anos", ressaltou Matni.
Um dos maiores desafios no combate às doenças renais, apontou o nefrologista, passa por uma questão econômica. Apenas 20% da população brasileira têm acesso a planos de saúde. Dois terços dos brasileiros dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), onde a remuneração para o tratamento de diálise é insuficiente. "Há três anos não tem reajuste e, no Brasil, várias unidades de diálise estão fechando", disse Anuar Matni.


