Remoção do lixo é alvo de discussão
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sexta-feira, 16 de abril de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Quem passa pela Vila Nova (Área Central) deve ter percebido um recente acúmulo de sacos de lixo nas calçadas. O problema é resultado da discussão sobre a responsabilidade do recolhimento e destinação do lixo não reciclável, travada entre os proprietários dos vários depósitos de material reciclável instalados na região e da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Segundo José Eustáquio Ribeiro, 50 anos, que é proprietário de um depósito na Rua São Salvador, há cerca de dois meses o lixo não é mais recolhido pelos caminhões da limpeza pública. Apesar dos depósitos só receberem material reciclável, parte do produto recebido não pode ser aproveitada ou está contaminada e vai para o descarte.
''Eles só levam dois sacos de lixo por vez e mandam a gente alugar uma caçamba para o restante'', reclama. Segundo ele, o aluguel da caçamba, que varia de R$ 40 a R$ 50, oneraria demais sua atividade. Ribeiro reclama da decisão da CMTU, acusando a companhia de ''não gostar de depósito''.
Outro proprietário que reclama é Antônio Marinho Ferreira, 51 anos. ''Estou aqui há mais de 20 anos e eles sempre recolheram'', diz. Segundo ele, sua empresa produz cerca de 400 quilos de lixo a cada dois dias. ''Deixo na calçada e se eles não levam coloco para dentro de novo. Isso é injusto, para cada caminhão meu que eles levam ganham pelo menos três que a gente evita que vá para o aterro por conta da reciclagem'', pondera.
Os argumentos dos proprietários não convencem a CMTU. Segundo a gerente de operações da companhia, Rosemeire Suzuki Lima, os caminhões da limpeza pública são responsáveis pela coleta domiciliar de resíduos. A cota máxima do lixo domiciliar aceita pela CMTU é de 150 litros, algo como dois sacos de lixo grandes.
''O município não tem responsabilidade ao que excede a isso e essa é uma atividade comercial'', afirma. Ela também esclarece que a nova orientação é baseada nas resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), em fase de implantação em todo País. ''Estamos discutindo a responsabilidade dos resíduos desde o ano passado. Assim como a construção civil e a indústria é responsável por seus resíduos, essa atividade também é'', reforça.


