Eles eram muito importantes no período em que o homem tinha uma vida selvagem. Com o passar do tempo, o desenvolvimento de alimentos cada vez mais macios e o uso progressivo de ferramentas de corte, eles já não são mais necessários e a tendência é que desapareçam com o passar dos anos. Apesar disso, os terceiros molares - conhecidos como dentes do siso ou ''do juízo'' - ainda incomodam muitas pessoas, empurrando e desalinhando a posição de outros dentes.
Para esclarecer a partir de que momento os dentes do siso podem se tornar um problema e devem ser removidos, a Folha conversou com o cirurgião dentista Claudio Romagnoli, que dá as orientações.
Segundo ele, com a diminuição substancial da necessidade de cortar os alimentos com os dentes, a mastigação é cada vez menos exigida, ocasionando a diminuição das arcadas dentárias. Isso reduz o espaço para os dentes e, por consequência, dificulta o posicionamento correto dos sisos e de vários outros dentes.
''Em muitas pessoas, os dentes do siso nem chegam a nascer, ficando inclusos ou aparecendo apenas parcialmente. Sem o espaço para nascerem, eles empurram os outros dentes, provocando o chamado apinhamento dental, gerando problemas de má oclusão e sintomas de disfunção temporo mandibular'', explica o dentista.
''Para que este transtorno não ocorra ao paciente, nós recomendamos que os dentes sejam removidos.''
O especialista orienta que a remoção seja realizada quando o paciente ainda é jovem, por volta dos 17 anos, uma vez que nesta idade as raízes dos dentes ainda não estão completamente formadas, o osso circundante é mais suave e mais elástico, havendo menos chance de prejudicar estruturas nobres próximas ao dente retido, tais como, nervos ou outras estruturas. ''A remoção desses dentes em uma idade mais tardia torna-se um pouco mais complicada, uma vez que as raízes já estão plenamente desenvolvidas e o osso maxilar está mais denso e maduro'', esclarece.
Segundo Romagnoli, outro motivo para a remoção do dente do siso é que, além de ser um dente desnecessário para mordedura, é de difícil higienização, podendo ser facilmente acometido por cáries e problemas gengivais.
''Quando fica semierupcionado, o dente do siso pode inflamar o tecido, causando a chamada pericoronarite, o que provoca fortes dores, exigindo imediato atendimento profissional'', detalha. ''Ninguém pode prever quando irão ocorrer tais complicações relacionadas aos terceiros molares, mas quando ocorrem, as circunstâncias podem ser muito mais dolorosas e mais difíceis de tratar.'' É o caso das infecções, que, segundo o dentista, podem obstruir as vias respiratórias, levando a risco de morte.
Apesar dos riscos que a presença do dente do siso pode representar às pessoas quando o desenvolvimento não é acompanhado, o dentista avalia que um dente do siso pode ser útil quando o paciente perdeu o segundo molar. ''Eles também podem servir como apoio para pontes fixas ou removíveis'', cita, ressaltando a fundamental importância do check-up dentário de seis em seis meses.

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