Depois de um dia frustrado de negociações, a Secretaria Estadual de Segurança Pública não conseguiu encerrar a rebelião na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. As negociações se arrastaram durante todo o dia. Apesar dos desencontros e da falta de informações concretas sobre as discussões, o clima aparente na PCE não era de tensão.
O fim da rebelião estava condicionado à transferência de 23 detentos, quatro dos quais pertencentes ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Até o fechamento desta edição, o secretário estadual de Segurança, José Tavares, ainda tentava negociar com os outros estados a remoção dos internos que lideravam o motim. De acordo com a assessoria de imprensa da secretaria, os contatos com os outros estados seria concluído ontem, mas somente hoje pela manhã o secretário teria uma resposta dos outros presídios. Treze presos querem ir para São Paulo; quatro para Santa Catarina; três para o Mato Grosso; um para o Mato Grosso Sul; um para o Amazonas e outro para o Pará.
Na Penitenciária Central as negociações encerraram por volta das 19 horas. O presídio continuava cercado por policiais. Alguns presos se revezavam no telhado dos pavilhões e toda a movimentação era acompanhada por familiares dos internos. Até às 21 horas de ontem nenhum dos 26 reféns (agentes penitenciários) haviam sido libertados. Os 1,5 mil presidiários ainda mantinham o controle da PCE.
Na avalição do major Nemésio Xavier, do Batalhão de Polícia de Guarda, a transferência não passa de uma medida paliativa. ‘‘Será feita uma troca de presos entre os estados. E provavelemente as secretarias vão nos mandar os piores detentos’’, acredita. Os presos também estão em poder de aparelhos de telefone celular, através dos quais eles mantêm comunicação com parentes, advogados e autoridades da segurança.
Os policiais não descartam a possibilidade de os detentos estarem cavando um túnel para uma nova tentativa de fuga. As armas que estão em poder dos rebelados devem ter entrado no presídio junto com os alimentos utilizados para abastecer a cantina da PCE.
Ontem de manhã, o clima na PCE era de ansiedade. A madrugada teve alguns momentos de tensão, quando os presos colocaram fogo em colchões, no alto dos pavilhões. O principal motivo de tensão foi o atraso de quase uma hora para o início das negociações entre representantes do governo estadual e uma comissão de presos.
Só por volta das 11 horas é que o secretário José Tavares chegou à PCE e deu início à reunião. Ficou acertado que os presos apresentariam, ainda na parte da tarde, a lista com o nome dos que queriam ser transferidos. A lista, no entanto, só chegou nas mãos do secretário Tavares às 18h45.

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