Remo Veronesi será sepultado na Itália
Lúcio Flávio Moura
De Londrina
O empresário Remo Veronesi, pioneiro da construção civil em Londrina, morto na noite de anteontem aos 69 anos, será sepultado hoje em sua terra natal, Castelfranco Emília, nas proximidades de Módena, norte da Itália. Ele foi vítima de câncer, descoberto em setembro do ano passado, que primeiro atacou seu pâncreas e depois se generalizou atingindo outros órgãos.
A morte de Remo põe fim a história viva do trio que transformou em edifícios a riqueza e o progresso da Londrina do ciclo de ouro do café. Junto com Arturo, o pai e Romolo, o irmão (morto também de câncer em julho do ano passado), Remo foi responsável pela início da verticalização arquitetônica da cidade, logo após chegarem na região em 1950.
Londrina tem uma grande gratidão por Remo e por tudo que ele fez pioneiramente pela construção civil. Ele era uma espécie de embaixador da cidade na Itália, chamando a atenção da Europa para o potencial da nossa região. Falei com ele por telefone no seu aniversário no último dia 2, senti que era uma despedida, disse à Folha o prefeito Antônio Belinati (PFL), que prometeu homenageá-lo batizando uma obra (ainda não defini qual) com o nome do empresário italiano.
A Construtora Veronesi, criada em 1953, praticamente monopolizou por 10 anos os novos empreendimentos imobilíarios da cidade.
Imagens áreas do início dos anos 60 atestam o domínio destes italianos, muitas vezes chamados de loucos, mas logo reconhecidos como visionários. Londrina deve muito do seu progresso aos irmãos Veronesi, lamentamos muito a morte de Remo, lembra, comovido o amigo João Milanez, presidente do Conselho de Administração da Folha.
Os edifícios Bosque, Comendador Júlio Fuganti, Arthur Thomas, Santa Mônica, Panorama, Cinzia e Regina, eram apresentados pelos londrinenses da época como troféus, exibidos orgulhosamente como fruto do progresso acelerado que o Norte do Paraná alcançava.
O projeto que mais se destacou foi o do Centro Comercial, conjunto com três torres de 20 andares, com galeria de lojas e estacionamento subterrâneo. Além da imponência, a obra marcou época pelo sucesso comercial. Em menos de dois meses depois do lançamento, todos os apartamentos foram vendidos.
Os Veronesi também atuaram em outras obras importantes e foram responsáveis pela construção do Aeroporto, do Mercado Shangri-lá e do cinema Vila Rica. Em 1985 a família entrou no ramo da hotelaria com o Crystal Palace Hotel, instalado na área central. Em um período vivido na Itália, ele homenageou Londrina batizando com o nome da cidade norte-paranaense, um edifício que construiu em Roma.
No final da década passada, fundou o Paraná-Europa, uma associação entre o governo estadual, a prefeitura, empresários londrinenses e italianos, que criou um programa que envolve cooperação nas áreas comercial, científica, tecnológica, cultural e social entre o Norte do Paraná e a Região Emilia-Romagna, no norte da Itália.
Embora não fosse londrinense, ele mostrou uma grande amor por esta terra e generosamente nos aproximou dos italianos, abrindo portas para uma integração cultural e econômica que poderá ser durodoura, lembrou Valter Luiz Orsi, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL).Empresário italiano foi um dos responsáveis pelo progresso arquitetônico de Londrina nas décadas de 50 e 60
Arquivo Folha/27 de abril de 1994FOTO HISTÓRICARemo Veronesi, em foto feita no centro de Londrina em meados dos anos 90: morte aos 69 anos de idade vítima de câncer descoberto em setembro do ano passado. Fundador do programa Paraná-Europa





