Curitiba Aproximadamente 1,4 milhão de pessoas acima de 65 anos têm algum grau de demência no Brasil. Destes, 60% são portadores de Alzheimer, doença neurológica de causa desconhecida, que provoca perda progressiva de memória e de outras funções cerebrais. No Paraná, a proporção é a mesma e estima-se que 42 mil pessoas são portadores de Alzheimer.
Mas muitas pessoas, e até mesmo os médicos, ignoram a existência da doença, tratando a situação de demência dos idosos como uma consequência da idade. Quem perde com a falta de informação é o paciente, que fica sem os cuidados e tratamentos indicados. No Paraná só 120 pessoas estão cadastradas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para receber, em no máximo 60 dias, medicação gratuita, garantida por portaria de abril do ano passado pelo Ministério da Saúde.
Uma das limitações é o fato de o Paraná ter apenas dois Centros de Referência Hospital Universitário de Londrina e Hospital de Clínicas em Curitiba para fazer o cadastro, diagnóstico e acompanhamento dos pacientes, conforme prevê a portaria. Familiares de portadores e agentes de saúde querem aproveitar a data hoje é Dia Internacional de Alzheimer para chamar a atenção da população e autoridades sobre a situação.
Com a morosidade, a maioria dos portadores não está usando a medicação indicada. De acordo com o neurologista Paulo Jacques Leite, especializado em neurogeriatria, um paciente gasta entre R$ 300 e R$ 350 por mês apenas para comprar o remédio específico. Muitos ainda têm que usar outros medicamentos para controlar os sintomas comportamentais (depressão, ansiedade, etc), comuns nesses pacientes.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a intenção é implantar o mais urgente possível um centro de referência em cada regional de Saúde. Em Curitiba, a Unidade Municipal de Atendimento ao Idoso também terá, em breve, um centro de referência. Há dez dias, a unidade iniciou o trabalho de cadastramento e diagnóstico. A meta é realizar, até o fim do ano, 16 diagnósticos diários.
''Uma das dificuldades é fazer o diagnóstico da doença, já que não existe um marcador biológico, um teste clínico que comprove a doença'', explica Leite. Por isso, o diagnóstico é feito com base nos sintomas. O mais comum é a perda da memória de fatos recentes. ''No Alzheimer, esta alteração é lenta e progressiva, até atrapalhar as atividades normais da pessoa, provocar esquecimentos de datas ou locais'', diz.
Os pacientes tornam-se confusos, às vezes agressivos, apresentam alteração da personalidade e terminam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos quando colocados frente a um espelho. À medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros.
As causas da doença também são desconhecidas. Sabe-se que a perda da memória recente acontece porque há uma deposição de uma proteína celular, a Beta-amilóide, inicialmente no hipocampo região do cérebro ligada à memória recente afetando posteriormente outras regiões cerebrais.

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