Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
A Promotoria de Justiça de São Miguel do Iguaçu (43 km a nordeste de Foz do Iguaçu) solicitou à Secretaria da Saúde que localize um carregamento com 3,5 toneladas de medicamentos enterrado no lixão da cidade que, segundo denúncia de dois ex-funcionários da Vigilância Sanitária, não estariam vencidos. A retirada das amostras do material está prevista para hoje de manhã.
Segundo a delegada Tani do Amarante Razera, que foi solicitada para acompanhar o caso, o chefe de Vigilância Sanitária do município, Antonio Sbardella, apresentou documentos à polícia comprovando que 700 das 1.000 caixas de remédios estavam vencidas na época. ‘‘Também recebemos amostras do produto vencido. Amanhã (hoje) iremos apenas compará-las’’, disse a delegada.
Para o promotor de Justiça que solicitou o resgate dos medicamentos, Haroldo Nogiri, mesmo ciente que o assunto pode ter uma conotação política (advogados oposicionistas ao atual prefeito estariam acompanhando o caso de perto), toda denúncia deve ser investigada. Pelos autos da denúncia, dois irmãos (que não tiveram os nomes revelados) disseram ao promotor que há cerca de nove meses foram buscar na rodoviária da cidade centenas de caixas vindas dos Estados Unidos.
Os dois carregaram uma caminhonete F-4000 e levaram o material direto para a vala séptica do lixão, destinada aos resíduos hospitalares, onde as caixas foram enterradas sem serem abertas. ‘‘Precisamos conferir se realmente a validade dos medicamentos já havia expirado, mas estamos averiguando com calma, por meio de procedimento de investigação preliminar’’, disse Nogiri.
Segundo Sbardella, somente 300 caixas estavam com medicamentos dentro do prazo de validade. O restante (700 caixas) foi inutilizado. ‘‘Os remédios chegaram aqui em março do ano passado, sendo que uma parte venceu em abril e outra em junho. Até o vencimento nas datas especificadas, alguns produtos foram distribuídos’’, explicou.
Os medicamentos, a maioria vitaminas para gestantes, eram doações do governo norte-americano – estavam especificadas como ‘‘ajuda humanitária’’ – e chegaram ao Brasil no final de 1998. A burocracia na administração do Porto de Paranaguá teria emperrado a transferência do lote para São Miguel do Iguaçu e outras cidades.
Ainda segundo o chefe da Vigilância Sanitária, todo o processo de inutilização do material foi acompanhado por técnicos da 9ª Regional de Saúde. ‘‘Poderíamos queimar, mas o incinerador específico para este caso existe somente em Curitiba, o que inviabilizaria o deslocamento da carga’’.
Policiais civis e técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Vigilância Sanitária devem retirar hoje parte dos remédios, utilizando roupas especiais. O processo será feito manualmente, pois caso sejam usadas máquinas e equipamentos de escavação, eles não poderão ser reaproveitados.

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