Remédios alternativos ainda são vendidos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de setembro de 1998
Andrea Vendramini 
A venda de produtos fitoterápicos e de florais de Bach - preparações com essências de flores para tratar distúrbios emocionais - não sofreu reduções significativas em Curitiba, apesar do Conselho Federal de Medicina (CFM) ter proibido, no final de agosto, esses profissionais de aplicar ou indicar qualquer terapia cuja eficácia não tenha sido comprovada cientificamente. A determinação inclui outras terapias alternativas, como cromoterapia, aromaterapia e quiropatia (técnica de manuseio da coluna contra problemas musculares.
Segundo a gerente da Farmácia Homeopática Paranaense, Brandina da Silva, o volume de vendas de florais de Bach e de produtos fitoterápicos não sofreu qualquer alteração desde a determinação do CFM. Esses produtos, explica, geralmente não são receitados por médicos homeopatas, mas por terapêutas alternativos e psicológos.
A proibição do CFM também não alterou a venda de produtos fitoterápicos na Farmácia Homeopática Lindifarma. Os pedidos de florais diminuiram cerca de 20%, queda causada pela suspensão de receitas emitidas por médicos homeopatas. A gerente da Farmácia, Lidiane Romanó lembra, entretanto, que o movimento não mudou muito porque a maior parte dos florais de Bach solicitados são indicados por profissionais de outras áreas.
Indicação - O médico homeopata Luiz Antônio Batista Costa, que atua há 14 anos, diz que não deixará de indicar os florais. Cerca de 20% dos meus pacientes utilizam os florais, quando necessário, como um complemento da alopatia. É como indicar uma dieta alimentar, diz. Quanto aos fitoterápicos - produtos com substâncias ativas derivadas de plantas - Costa lembra que muitos são reconhecidos pelo Ministério da Saúde e usados na medicina alopática.
A decisão do CFM é considerada arbitrária pelo médico homeopata José Barbosa, que atua há 12 anos. Ele indica florais de Bach nos casos em que avalia ser necessário complementar o tratamento homeopático. A acupuntura, reconhecida como especialidade médica no Brasil, foge ainda mais ao enquadramento científico exigido pelo Conselho do que a terapia de florais, argumenta.
A assessoria de imprensa do CFM informou que as terapias alternativas só poderão ser indicadas após a apresentação e o reconhecimento de estudos científicos que comprovem que são eficazes. Os médicos que não cumprirem a determinação correm o risco de ser denunciados ao Conselho Regional de Medicina. A punição pode ir desde uma simples advertência até a suspensão do direito de exercer a profissão.


