Remédio reduz sequelas do derrame
Vivian de Albuquerque
O Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, está usando há cerca de um ano e meio um novo medicamento que pode reduzir as consequências do chamado derrame cerebral em até 13% dos casos. Considerado como a primeira doença clínica em número de mortes no Brasil, o acidente vascular cerebral, ou derrame cerebral, nada mais é do que uma progressão da aterosclerose, um entupimento dos vasos sanguíneos causados pelo acúmulo de gordura. Este quadro pode ser diminuido ou então destruído pelo medicamento americano conhecido entre os médicos brasileiros como trombolítico.
Aplicado na veia do paciente durante uma hora, o trombolítico dissolve os chamados trombos, ou coágulos, permitindo que o sangue volte a circular sem interrupções, reduzindo assim casos comuns de paralisia nos braços e pernas.
Ele já é usado nos Estados Unidos há mais de três anos, explica o médico intensivista do Hospital Nossa Senhora das Graças, Heitor Lagos. Aqui no Brasil está há bem menos tempo e em um número ainda muito pequeno de pacientes, principalmente por causa da falta de conhecimento. De acordo com o médico, é comum a dificuldade da pessoa em detectar o derrame cerebral ainda no início, ao mesmo tempo em que também é comum o próprio desconhecimento dos médicos a respeito do medicamento.
Assim, com sintomas como tontura, paralisia da face e da língua, o doente espera por uma melhora antes de procurar por um hospital. Quando procura ajuda, nem sempre há condições de se aplicar o medicamento. O trombolítico tem um prazo para ser ministrado ao paciente, esclarece Lagos. Ele só pode ser injetado em pessoas que começaram com os primeiros sintomas do derrame há uma hora e meia, duas horas, caso contrário não faz o mesmo efeito, explica o médico.
Mas a maior exigência para o uso do trombolítico ainda é mesmo a existência de toda uma infra-estrutura adequada. Fator que faz com que só o Hospital Nossa Senhora das Graças preste o atendimento em Curitiba. São necessárias desde equipes de neurologia e tomografia de plantão, até uma unidade de terapia intensiva devidamente equipada para uma observação de 24 horas, após a aplicação. Desde que começou a trabalhar com o medicamento americano, que custa o equivalente a R$ 1 mil por doente, o hospital já fez seis aplicações, e quatro dos pacientes ficaram sem qualquer tipo de sequela.





