Remédio pode ser causa da morte de comerciante
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sexta-feira, 09 de fevereiro de 2001
Marta Medeiros De Maringá 
A família do comerciante João Batista da Silva, 42 anos, de Paranavaí, não tem dúvidas de que o medicamento glucantine, utilizado para o tratamento da leishmaniose, causou a morte dele. Silva morreu no dia 1º deste mês depois de ficar dois dias internados em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Paranavaí. O atestado de óbito traz como causa da morte acidente vascular cerebral hemorrágico, coagulopatia, hipersensibilidade à droga, insuficiência renal aguda e nefrite intestinal.
A Secretaria Estadual de Saúde está recolhendo medicamentos de uso contínuo contra a leishmaniose. Há lotes em que foram constatadas doses de chumbo e arsênico acima dos limites recomendados.
A mulher de Silva, a comerciante Marisa Aparecida de Moura da Silva, 43, contou à Folha que o marido estava em tratamento contra a leishmaniose desde novembro do ano passado. Ele teria tomado parte das 28 doses recomendadas, mas depois dos primeiros 15 dias de tratamento procurou ajuda médica porque estava sentindo uma série de efeitos colaterais.
Marisa afirma que quando Silva procurou o médico, recebeu apenas um antialérgico, mas não foi orientado a suspender o tratamento da leishmaniose. Acho que faltou cuidado com o meu marido porque ninguém quis saber das suas reações ao tratamento, denunciou.
A comerciante contou que dias antes de morrer, Silva passou a reclamar de muita dor nos rins. Ele foi levado pela família para o Pronto Atendimento (PA) de Paranavaí e em seguida internado na UTI da Santa Casa. Os médicos que o atenderam na Santa Casa disseram que ficaram impressionados com o estado dele, lembrou Marisa. Todos os exames davam completamente alterados até que ele não resistiu e morreu.
Marisa disse que até agora não foi procurada por funcionários ou médicos da Saúde em Paranavaí. Mas com certeza vou exigir uma explicação para tudo o que aconteceu e pedir providências, afirmou. Ela disse ainda que depois da divulgação sobre a suspensão do medicamento pelo Ministério da Saúde a família passou a conhecer sobre a doença. Sei até que há outras formas de tratamento, mas antes não sabíamos de nada.
A Folha tentou obter informações sobre a situação da doença no município por meio da Secretaria Municipal de Saúde e da 14ª Regional de Saúde. Segundo o chefe de epidemiologia da 14ª Regional de Saúde de Paranavaí, Marcelo Campos, qualquer informação deveria ser procurada na Secretaria de Estado da Saúde, em Curitiba. A assessoria de imprensa da Secretaria informou que qualquer divulgação a respeito da morte do comerciante seria de responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde de Paranavaí.
Conforme o secretário municipal de Saúde, Marcos Palmeira, a única participação da secretaria neste caso se refere ao relatório constando que de fato Silva passou pelo PA e depois foi encaminhado para a Santa Casa. O tratamento do comerciante estava sendo conduzido pelo Centro Regional de Especialidade.


