Receitar chás e compostos a base de plantas medicinais faz parte da cultura dos brasileiros, que ao primeiro sinal de dor no estômago e outras indisposições, apelam para as fórmulas milagrosas ensinadas pelas mães, avós ou aquela vizinha sempre pronta a ajudar. Dependendo da gravidade da doença, a receita popular realmente resolve o problema, mas é preciso tomar alguns cuidados antes de optar pelo tratamento natural.
De acordo com o agrônomo Guilherme Casanova Júnior, do Centro de Oficinas da Mulher da Prefeitura de Londrina, as plantas utilizadas de forma incorreta podem intoxicar ou provocar alergias. ‘‘A erva de Santa Maria, por exemplo, funciona como repelente e vermífugo, mas se ingerida em doses exageradas, pode matar. Em nossos cursos, sempre orientamos a descartar as substâncias que oferecem algum tipo de perigo’’, comentou.
Em sua rotina profissional, ele costuma identificar desvio de finalidade no uso de certas ervas.‘‘A babosa funciona como cicatrizante, mas não há comprovação científica sobre sua eficácia na cura do câncer. Ela deve ser usada para queimaduras ou para dar brilho no cabelo, porém, não pode substituir o tratamento indicado pelo médico’’, disse.
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná, Luiz Salim Emed, acrescenta que nenhum medicamento receitado pelo médico deve ser trocado por plantas sem orientação. ‘‘Em caso de problemas crônicos ou sérios, como câncer, diabetes e outros, é preciso procurar especialistas. Se a pessoa prefere se tratar de forma natural, deve optar por um homeopata’’, ressaltou.
Algumas precauções são recomendadas antes de usar as plantas medicinais, ensina o agrônomo Guilherme Casanova. Em primeiro lugar, é necessário identificar a erva de forma correta e saber a dosagem, o modo de preparar e se a indicação é para uso interno ou externo (na forma de compressas, por exemplo). Na hora de comprá-las, prestar atenção no estado de conservação, evitando produtos guardados em local úmido, sem ventilação ou misturado com mofo e sujeira.
Ao preparar o chá, evite vasilhas de alumínio e nunca ferva a planta, pois o processo pode retirar as propriedades curativas. Após a fervura da água, coloque a erva no recipiente e deixe abafado por dez minutos. Não guarde o chá por mais de um dia e procure não adoçá-lo, preferindo acrescentar mel quando o gosto for ruim.
Entre as receitas mais populares, Casanova destacou que o guaco, consumido na forma de chá ou xarope, realmente resolve doenças respiratórias. A espinheira santa é eficiente como analgésico ou contra gastrite e problemas de estômago, assim como o boldo. Consumida na forma de chá ou gargarejo, a casca de romã é boa para dor de garganta, além de curar diarréia quando ingerida aos pedaços. O açafrão brasileiro, usado como condimento na cozinha, auxilia a digestão e problemas bucais, como gengivite e halitose.

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