Lúcio Flávio Moura
Enviado a Rolândia
Produtos à base de babosa estão amenizando o drama vivido por quatro irmãos de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) que sofrem com a síndrome de Friedreich, doença rara que degenera o sistema nervoso.
Esmeraldo Melo, 41 anos, e seus irmãos Genelício, 40, Milton, 39, e Arnaldo, 32, todos com mais de 120 quilos, começaram a desenvolver a doença a partir dos 16 anos (com exceção de Arnaldo, que só passou a sentir os efeitos da síndrome a partir dos 21). Perderam o movimento dos braços e das pernas que apresentam inchaço permanente, parte da visão e a capacidade de falar. Também apresentam problemas cardíacos, incontinência e distúrbios urinário-intestinal e doenças de pele.
Eles passam o dia assistindo televisão ou ouvindo rádio, quase absolutamente imóveis em camas. Somente Arnaldo ainda consegue manter-se sentado. A irmã Marinalva Melo Costa, 42 anos, que ao lado da mãe de 70 anos cuida dos rapazes, disse que desde que começaram a tomar um preparado concentrado com babosa, mel e guaraná, aliado ao uso contínuo de loção e sabonetes com essência da planta, os eczemas no couro cabeludo e as escoriações pelo corpo foram reduzidos consideravelmente.
A babosa também regularizou as funções intestinais dos Melo, que antes do tratamento com os novos produtos alternavam prisão de ventre e diarréia. ‘‘Como ficam o tempo todo na mesma posição, eles apresentavam bolhas na virilha, nas pernas e nas axilas. Agora isto diminuiu 90% e eles têm menos dores abdominais’’, lembra Marinalva, que reclama do desinteresse dos médicos pelo caso dos irmãos.
Há três anos, a família desistiu de continuar a procurar neurologistas (que por dificuldades de deslocamento até a casa dos pacientes – único modo de acompanhamento médico – não deram prosseguimento ao tratamento) e passaram a cuidar apenas da parte cardíaca da síndrome.
A empresa BSN Bela Vida Ltda, de Joinville-SC, está fornecendo os produtos aos Melo e monitorando os resultados do tratamento à base de babosa, planta que faz parte de 35 dos 75 produtos da empresa. Segundo o Food and Drug Administration (FDA), órgão norte-americano governamental, considerado o mais rigoroso na análise de medicamentos e alimentos, a babosa não tem contra-indicações e efeitos colaterais.
Segundo a infectologista pernambucana Gerusa Dreyer, do Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães, de Recife, especializado em estudos de doenças tropicais, a síndrome que aflige os irmãos Melo não tem cura, é progressiva, congênita e está relacionada a casos de consanguinidade na árvore genealógica. Seus efeitos não podem ser interrompidos, mesmo quando diagnosticados na infância. Eles só podem ser amenizados. Gerusa, especialista em filariose (elefantíase), foi quem diagnosticou a síndrome, em 1996.

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