Relojoaria fecha após 55 anos
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sexta-feira, 11 de junho de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Hoje se encerra uma história que durou 55 anos. A Relojoaria Paranaense, localizada na Rua Souza Naves (Área Central de Londrina), abrirá as portas pela última vez, com poucos produtos nas prateleiras, mas repleta de memórias.
Inaugurada em 1949, a loja é uma das mais antigas do ramo na cidade. Primeiro como empregado, depois como sócio e, enfim, no papel de único proprietário da relojoaria, Francisco Contato, 78, testemunhou a chegada do asfalto à Souza Naves. Até 1962, o negócio funcionou em uma grande casa de madeira, num terreno que atualmente abriga um supermercado. Transferida para o imóvel ao lado, onde permaneceu até hoje, a relojoaria acompanhou os dias de glória do relógio-cuco e dos relógios de pulso automáticos.
''Usava-se muito os automáticos, que funcionavam só com o movimento do pulso. O problema é que às vezes eles davam alguma diferença de horário e, além disso, eram muitos caros'', lembra. O prestígio do cuco, segundo Contato, não passou da década de 70. O modelo foi substituído por relógios de parede mais simples, movidos a pilha e com preços mais acessíveis. Mas nenhuma dessas mudanças afetou tanto a relojoaria quanto a ascensão de uma figura: o camelô.
''A situação da loja só foi melhorando ao longo do tempo até que, há quatro anos, começou a decair. Não se vende mais como antes, não tem como concorrer com os camelôs. Eles não pagam impostos e vendem tudo muito mais barato'', alega. Não bastasse a concorrência, Contato também convivia com a insegurança. Além de furtos frequentes, ele foi vítima de assaltantes armados. ''Foi num sábado de manhã, 'só' três revólveres. Levaram bastante coisa.''
Cansado de levar prejuízo, Contato decidiu liquidar os estoques e passar o imóvel para frente. ''Dos que começaram a trabalhar com isso, só sobrou eu. Não compensa mais''. Sempre acompanhado de dona Odete, 74, sua esposa há 56 anos, o ex-relojoeiro diz que vai viver da aposentadoria, plantar mandioca e milho em sua chácara, e pescar no Rio Tibagi. A relojoaria fecha mas a história deles continua.


