'Relojão' pode ganhar novo parceiro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de fevereiro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Enquanto muitos dariam tudo para fazer o tempo parar, um homem gasta mais de R$ 54 mil por ano para manter as horas correndo. É esse o custo do relógio da Papelaria Central, no Calçadão de Londrina (Área Central), conhecido como ''Relojão'' por seu tamanho uma estrutura de 6 por 6 metros. Agora, pela primeira vez desde que herdou o patrimônio, em 1987, o comerciante Urias Alves, 68 anos, poderá ter um alívio nas despesas. O provável parceiro é a empresa de telefonia londrinense Sercomtel.
Embora as velhas peças do relógio exijam reparos frequentes, a maior parte das despesas provém da taxa de condomínio. ''O relógio vale por três andares. Desde que eu assumi, pago 33% de todo o condomínio do edifício'', ressaltou Alves. O valor corresponde a R$ 4,5 mil por mês. Anualmente são R$ 54 mil. O comerciante não sabe precisar a quantia que desembolsa a cada ano com consertos, mas admite que, com o passar do tempo, esses gastos vão aumentando.
''As peças estão muito velhas. Quando venta para um lado, o relógio atrasa, se venta para o outro ele adianta'', ilustrou. O relógio foi construído junto com o prédio, em 1958, pelo extinto Banco da América. Sem similar no mercado, o motor precisa ser refabricado a cada troca. Os ponteiros e o eixo são os mesmos desde a instalação, e precisam ser substituídos, junto com as caixas de comando, localizadas no térreo. Alves calcula em R$ 10 mil o custo das melhorias.
''Além de garantir o bom funcionamento do relógio, aumentaria a segurança'', assegurou o proprietário, lembrando que um ponteiro já dobrou com a ventania, tendo de ser retirado para reparo. Detalhe: os ponteiros, de 3,4 e 2,8 metros, só podem ser transportados pela escada. Já a remoção do contrapeso, na base dos ponteiros, é trabalho para duas ou mais pessoas, visto que a peça de chumbo pesa 10 quilos. ''Esses trabalhos são mais complicados do que os reparos em si. É preciso armar andaime, amarrar cordas, tudo com muito cuidado porque o risco é grande'', apontou.
Alves lembra que, em outra ventania, uma parte do letreiro da papelaria foi pelos ares. Por sorte, não houve acidentes. Se a parceria com a Sercomtel se concretizar, o letreiro será retirado.
O gerente de Marketing da Sercomtel, Lourival Medeiros, afirmou que as negociações estão adiantadas. Ele observou que foi a própria empresa que procurou o comerciante, há cerca de 50 dias, sabendo das dificuldades que vinha enfrentando. ''Nossa intenção é assumir a parceria, pois o relógio é um marco de Londrina. Faz parte da forma de trabalho da Sercomtel'', assinalou.
A empresa também ganharia em publicidade, imprimindo sua marca na base do relógio. Todos os dias, gente como o comerciante Davino de Oliveira Costa, 48, empina a cabeça para ver as horas no alto do prédio. ''Eu posso estar usando relógio de pulso, mas olho lá pra conferir'', contou. Faryd Ramalho observa que o ''relojão'' é referência para os londrinenses. ''É um patrimônio da cidade, tem que haver uma colaboração, talvez até da prefeitura, para mantê-lo funcionando'', disse.


