Não bastassem os relógios digitais da cidade, agora foi o ''relojão'' da Papelaria Central, no Calçadão, que deixou os transeuntes na mão. Os ponteiros foram retirados para reparo, anteontem, e não há previsão de quando o trabalho estará concluído.
O fato coincidiu com uma boa notícia: o proprietário assinou um acordo com a Sercomtel para dividir as despesas do patrimônio, que ultrapassam R$ 55 mil por ano. ''Já não era sem tempo, o custo estava muito pesado'', comemorou Urias Alves, 68 anos, dono da papelaria e do relógio.
O contrato com a Sercomtel transfere à empresa metade da taxa mensal de R$ 4,5 mil, de acordo com o comerciante. Em troca, a Sercomtel ganha o espaço publicitário logo abaixo do relógio. A reportagem da Folha contatou a empresa para comentar o acordo, mas o responsável não retornou a ligação.
A parceria pára por aí, mas as despesas não. Sempre que houver necessidade de reparos, o custo correrá por conta de Alves. Agora mesmo, ele poderá desembolsar até R$ 7 mil para fazer uma ''reforma'' no relojão, que parou devido a uma falha no motor. A peça terá que ser consertada, embora o ideal fosse uma substituição. ''Não existem mais motores desse tipo para comprar. Quando pifa, tem que dar um jeito nesse mesmo'', ponderou.
O comerciante aproveitou para retirar o eixo e os ponteiros do relógio, os mesmos desde a década de 50. O ponteiro menor deverá receber apenas reparos; o maior será trocado, junto com o eixo. Os dois novos componentes, feitos de latão e metal, respectivamente, serão encomendados a uma metalúrgica, gerando a parcela mais cara das melhorias. Alves não soube precisar quando os trabalhos serão concluídos. ''Vamos passar mais alguns dias sem o relojão. Até lá, o pessoal vai ter que comprar um relojinho para olhar as horas'', brincou.

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