‘‘Se eles aparecerem aqui para cortar a nossa luz a comunidade vai reagir. Teve funcionário da Copel que já apanhou. Houve até ameaça de incendiarem o carro da empresa’’, afirmou a líder do assentamento Monte Cristo, Luzia Madalena Moreira, sobre a extinção das ligações clandestinas defendida pela Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel).
Segundo ela, a maioria das 581 famílias que vivem no assentamento fazem uso dos ‘‘gatos’’ para obter energia elétrica porque o bairro não está regularizado junto à Companhia de Habitação (Cohab-Ld). Cada morador faz sua própria ligação estendendo fios entre os barracos e os postes dos Jardins Marabá e Santa Fé. Dentro do assentamento também existe cinco relógios da Copel que são compartilhados por 20 famílias cada um. Luzia faz parte desse grupo e disse que paga R$ 47,50 todo mês. ‘‘Mesmo assim não podemos usar o chuveiro porque a energia é fraca’’, afirmou.
O mecânico desempregado Ivan Eduardo Ferreira e a comerciante Milene Rodrigues dos Santos também reclamam das quedas de força diárias. ‘‘Puxei a energia para minha casa há pouco mais de três meses. Antes vivia à base de velas e lampião. Em três anos que moro aqui nunca soube de qualquer acidente por causa das gambiarras’’, disse o desempregado.
O presidente da Cohab-Ld, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, disse que a área do Monte Cristo pertence a três pessoas das quais duas já demonstraram vontade em vendê-la. Silva disse que antes da negociação qualquer tipo de benfeitoria, mesmo que temporária, depende da autorização dos proprietários.

mockup