Relógio Solar atrai curiosidade das crianças
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sexta-feira, 20 de abril de 2007
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma rodinha de crianças na faixa de cinco anos de idade se formou rapidamente, ontem de manhã, na Escola Estadual Dom Manoel de Silveira Delboux, localizada no Alto da XV, em Curitiba. Todos estavam curiosos para saber o que algumas moças, estudantes de Arquitetura da Universidade Faderal do Paraná (UFPR) estavam rabiscando e pintando em pleno pátio da escola.
A resposta veio rápida: um relógio solar. Gabriel e João Vitor, alunos do pré, entusiasmaram-se com a idéia. Diziam saber ver as horas, mas quando foram colocados frente a um relógio com ponteiros, mostraram que, na verdade, só sabem ler os números do relógio digital. Com a iniciativa dos estudantes de Arquitetura, no entanto, eles poderão não apenas aprender as horas, mas principalmente saber um pouco mais sobre a natureza, conhecendo as estações do ano e os efeitos do movimento do sol.
Não são só os pequenos alunos que estão aprendendo com essa iniciativa. Para os universitários, a pintura dos relógios tem objetivo de mostrar na prática como orientar uma edificação com respeito à insolação. ''É a aplicação direta do que aprendemos em sala de aula sobre a insolação dos ambientes e como voltarmos uma edificação'', diz Luise Prates, do 2 ano de Arquitetura.
''Observar a natureza é importante porque o arquiteto está cada vez mais distante dela. Antes ele observava a natureza e construía. Hoje eles fazem projetos no computador e às vezes nem olham para fora'', complementa o professor de Conforto Ambiental. Aloísio Schmidt, ressaltando que o arquiteto tem que ter consciência de como a Terra se movimenta em relação ao Sol.
O mesmo relógio do sol, pintado com restos de tintas, foi feito em outras oito escolas da Capital. Para as crianças, essa lição virá ao longo do tempo. A expectativa é que os relógios durem o ano todo, marcando as estações do ano.
Interação - A diferença entre o relógio solar pintado nas escolas e um relógio de sol tradicional é que, aqui, a sombra da criança vai determinar a hora certa. O tipo mais comum desse relógio é formado por uma superfície plana que serve como mostrador, onde estão marcadas linhas que indicam as horas, e por um pino ou placa (chamado de gnômon), cuja sombra projetada sobre o mostrador funciona como um ponteiro de horas em um relógio comum. À medida que a posição do sol varia, a sombra desloca-se pela superfície do mostrador, passando sucessivamente pelas linhas que indicam as horas.
Nas escolas, a criança será o gnômon. No chão, foram pintados pezinhos, que apontam o local certo que a criança deve se posicionar, dependendo de sua altura. É só se colocar ali e a sombra da cabeça da criança no chão vai mostrar o horário certo. Além das linhas das horas, foram pintadas outras três, que mostram a posição do sol nas diferentes estações do ano. Pelo tamanho da sombra projetada no chão, a criança vai saber qual a estação do ano. Ela também vai ver, por exemplo, que no inverno ela não consegue ver as horas antes das 8 horas e após as 16 horas, e vai perceber a diferença entre os dias de verão e inverno.


