Alexandre Sanches
e Luciane Tonon
De Londrina
Os religiosos da Congregação Irmãos da Caridade, com sede em Lima, no Peru, estão reestruturando a Aldeia Infantil Estrela da Manhã, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). A entidade que administram há dois anos necessita de doação de roupas e alimentos para manter 38 crianças. Eles assumiram a entidade – que funciona como lar-substituto até que os pais tenham condições financeiras de sustentá-las – no lugar do fundador, o padre belga Victor Margot.
Fundada em 1991 pelo então pároco local, a aldeia surgiu da necessidade de um local para acolher as crianças desamparadas, que até então eram recolhidas na casa paroquial. Por conta deste trabalho, muitas das crianças atendidas ficaram conhecidas como as crianças do padre.
Aposentado, padre Victor entregou a administração para os Irmãos da Caridade e voltou para o Japão, onde trabalhou por muitos anos e mantém laços de amizade, para tratamento de saúde. Os irmãos de caridade Erick Leopold Maria Verdegem, 48 anos, da Bélgica, e André Payer, 38 anos, do Canadá, assumiram a responsabilidade de continuar o trabalho. ‘‘Estamos reestruturando a entidade, dando uma organização própria. O padre Victor era muito espontâneo’’, comenta Erick Verdegem, que está no Brasil desde 1997.
A entidade cresceu em pouco tempo. Padre Victor adquiriu um terreno de dois hectares e iniciou a construção de casas que abrigariam as crianças. Foram construídas cinco casas em regime de mutirão com a ajuda das próprias crianças. Também há um pequeno pasto para gado de leite, uma pocilga (criação de porcos) e uma horta em formação.
De acordo com o padre, a congregação trabalha em vários países atendendo crianças com deficiência física, atendimento psiquiátrico e educação especial. ‘‘Este trabalho está sendo o primeiro atendimento a crianças carentes sem os problemas de locomoção motora ou psiquica’’, ressalta. Na sua experiência anterior, Verdegem trabalhou no Paquistão atendendo crianças com deficiência física, e no Congo, com trabalhos psiquiátricos. André Payer trabalhou em Lima, Peru, com dependentes químicos.
Procurando atender as crianças com atividades diárias, como estudo, brincadeiras e exercícios físicos, para evitar a ociosidade, os religiosos também têm outra tarefa pela frente: reformar os prédios e conseguir recursos para manter os programas iniciados pelo padre Victor Margot. ‘‘Temos a doação de famílias no exterior, muitas amigas do padre Victor. Também criamos a nossa lista com famílias amigas dos locais por onde passamos, sem contar a colaboração da comunidade.’’ O trabalho maior da congregação é evitar que o tratamento dado às crianças quebre os laços com as famílias delas.
‘‘Faz oito anos que estou aqui e aprendi muito com os irmãos’’, diz Adriano Luiz dos Santos, 15 anos. Ele e a mãe Nivaldete dos Santos, 37 anos, foram amparados pelo padre Victor. ‘‘Eu sou mãe solteira, não tinha emprego, passava uma situação difícil. Pela ajuda que tive, decidi colaborar nesta obra. Só que, para isso, tive que abdicar de muita coisa, principalmente da vida que levava.’’ Ela trabalha como servente e merendeira na aldeia.
A história de todos os moradores, tanto as crianças quanto as famílias tutoras, se repete. ‘‘Eu gosto muito da Aldeia. Se não estivesse aqui, com certeza estaria na favela’’, diz Silvana Oliveira de Melo, 8 anos. Ela e outros três irmãos moram na aldeia com família tutora. O pai biológico é alcoólatra e a mãe tem problema mentais.
Nos projetos da Aldeia Estrela da Manhã está a construção de calçadas interligando as casas, a aquisição de um terreno de 2,4 mil metros quadrados ao lado da aldeia para formação de uma horta, pasto e área de lazer. Deverá ser comprado ainda um sistema de aquecimento solar para diminuir o consumo de energia elétrica e uma perua Van, para o transporte das crianças. Quem quiser ajudar a entidade com doação de roupas, alimentos e até em dinheiro pode entrar em contato pelo telefone (0xx43) 265-1177.

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