Religiosos querem mudança de nome
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segunda-feira, 23 de abril de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Um grupo de evangélicos de Foz do Iguaçu iniciou na semana passada um movimento para tentar mudar o nome de uma das principais atrações turísticas da cidade. O motivo do incômodo dos religiosos é a Garganta do Diabo, como é conhecida a maior queda d'água das Cataratas do Iguaçu. Eles defendem que o nome faça referência a Deus.
Com mais de 80 metros de altura e com um volume de água que impressiona os visitantes, a queda é formada por três saltos diferentes. O principal deles tem o nome oficial de Salto União, referência ao fato de estar exatamente na fronteira entre Brasil e Argentina. Junto com os saltos Benjamin Constant (no lado brasileiro) e Mitre (no lado argentino), forma o complexo que ficou conhecido popularmente como Garganta do Diabo. O nome é creditado a lendas indígenas sobre a a formação das Cataratas. O apelido acabou ganhando notoriedade nos país e no exterior.
Mas, para grupos religiosos, o nome deveria ser mudado. O pastor Nélio Sander, da igreja evangélica Ceifa, que iniciou a campanha, afirma que o nome Garganta do Diabo traz influências negativas para a cidade. ''Todos, sejam pessoas, cidades ou o que seja, gostam de ter bons nomes. E dependendo do nome que invocamos, temos a resposta de acordo com ele'', justifica. ''A Garganta do Diabo está invocando esse nome e tudo o que ele traz consigo'', acrescenta.
Para Sander, o local que mais impressiona os turistas que visitam as Cataratas deveria ter um nome que fizesse referência a Deus. ''Aquela beleza foi criada por Deus, não é do diabo'', afirma o pastor. Em sua opinião, a mudança para um nome ''positivo'' traria retorno comercial para Foz do Iguaçu. Tanto que a proposta, segundo Sander, já está sendo encampada por agências de turismo.
Além disso, o pastor acredita que a mudança poderia trazer benefícios para todo o município. ''A cidade vem colhendo muitas coisas ruins. É preciso que se olhe para as consequências que a mudança vai trazer. Nós é que fazemos o que Deus abençoa'', declara. Apesar da polêmica, a administração do Parque Nacional do Iguaçu, onde estão as Cataratas, afirmou que não vai se manifestar sobre o assunto.


